Ensaio Geral - Resgate cultural dá o tom das festas juninas da Reme
Arraial | Da redação | 13/06/2018 07h20

Resgate cultural dá o tom das festas juninas da Reme

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Com foco na história das festas que marcam o mês de junho e no mundial de futebol, que tem início esta semana, as escolas e Ceinfs da Rede Municipal de Ensino (Reme) deram início ao calendário de festividades, que deve se prolongar até o início do próximo mês (julho).

Desde a última sexta-feira (8), pelo menos dez unidades realizaram suas tradicionais festas juninas, reunindo alunos e a comunidade escolar. Só na Escola Municipal Padre Tomaz Guirardelli, no Parque do Lajeado, a diretora Clarice de Oliveira Cassol Miranda acredita que 4 mil pessoas passaram pelo local no sábado. A escola, a maior da Rede, conta com 2,5 mil alunos.

Já contando com o grande número de pessoas, Clarice e a equipe da escola decidiram realizar a festa, que não acontecia há quase oito anos, em dois turnos e, assim, como nas demais unidades, houve a preocupação em focar no resgate das tradições do homem do campo, sem focar no caráter religioso da festa.

“O foco foi a comunidade escolar. Os pais e alunos participaram da realização da festa e ficamos muito satisfeitos com o empenho de todos. O pessoal pedia pela volta da festa aqui na região, que tem uma carência de atividades culturais”, disse a diretora.

Apesar de não ressaltar os santos típicos do mês, não faltou a encenação de um casamento à moda antiga, onde o noivo tenta fugir do altar, mas é “convencido” pelo pai. “Foi tudo muito lúdico, uma brincadeira com um elemento que não pode faltar na quadrilha”, afirmou Clarice.

O envolvimento das famílias também foi observado na festa da Escola Municipal Governador Harry Amorim Costa, no bairro Guanandi. O diretor Denny Miranda Moreira disse que a festa acontece há quatro anos, sempre aberta a comunidade. “O pessoal já espera a festa, que foi elaborada pelos corpo docente, mas sempre com a colaboração dos pais”, explicou.

Já no Ceinf Felipe Sáfadi Alves Nogueira, na Vila Popular, a participação dos pais foi além do auxílio na organização e também pode ser vista em um dos números apresentados pelo berçário. Para estimular a interação com os filhos, eles ensaiaram um número musical com os bebês.

Sara Gonzaga, mãe da Maya, de nove meses, e do Miguel, de um ano, falou da importância do evento no desenvolvimento das crianças. “É importante para estimular neste início da vida escolar. Acho que eles ficam mais seguros, sempre participo das atividades”, destacou a dona de casa.

Tradição e modernidade

Para atualizar os festejos, as equipes das unidades buscaram mesclar ritmos novos com as danças típicas. O resultado foram números criativos, com as tradicionais canções de quadrilhas misturadas ao axé e até o funk infantil, garantindo a participação de todos.

O clima de Copa do Mundo também contribui com a reinvenção do tema junino não apenas na decoração, mas também nas apresentações. Na Escola Municipal Harry Amorim, por exemplo, os alunos vestiram o verde-amarelo e apresentaram uma dança misturando diversas músicas com tema brasileiro.

O casal Ana Claudia e Denis Albuquerque, pais da aluna Isabela, que estuda no pré, acredita que a modernidade atrai um público maior e torna a festa mais democrática. ‘As crianças hoje são muito ligadas na realidade e acabam se identificando com o que é apresentado e participam mais”, destacou Denis.

Na Escola Municipal Padre Tomaz Ghirardelli, não faltou a tradicional quadrilha, mas também teve um número mesclando vários ritmos do momento. “Acho que esta diversidade atrai mais gente e o pessoal se anima em participar”, opinou o aluno Aron Brendo Viana Franca, do 9º ano.

Projeto pedagógico

Além de fortalecer o contato da escola com a comunidade escolar , a organização das festas juninas é o momento onde os professores aproveitam para abordar as diferenças culturais, levando os alunos a compreenderem a riqueza de tradições que formam o nosso país e, dessa forma, aprendem a respeitar as diferenças e a valorizar suas origens.

As festas juninas ainda permitem o desenvolvimento de outras qualidades nas crianças, como organização, superação da timidez e cooperativismo. Mas, para que estes eventos tenham significado, é essencial que elas estejam vinculadas ao conteúdo aprendido em sala de aula. Esta é uma preocupação comum entre os gestores da Reme, que trabalham todo o conteúdo referente às festividades juninas, em projetos pedagógicos e de forma transversal.

“Tudo é falado em sala de aula. Os alunos desenvolvem atividades durante o mês em todas disciplinas e fazemos um resgate sobre as tradições e peculiaridades de cada região do país”, afirmou a diretora Clarice Cassol.

A secretária municipal de Educação, Elza Fernandes, que percorreu diversas unidades neste primeiro fim de semana de festas, disse ter ficado satisfeita com a participação dos pais. Segundo ela, a comunidade escolar tem um papel fundamental no processo pedagógico.

“Senão houver esse empenho dos pais, APM’s e alunos, não obtemos o objetivo pretendido, que é o de enriquecer o ensino das crianças com atividades fundamentadas no pedagógico. Temos exemplos de que onde a comunidade está inserida, os resultados do processo de aprendizagem são melhores, pois as crianças ficam mais motivadas”, ressaltou a titular da Semed.

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