Entrevista | Gabriel Sato | 22/07/2020 08h24

Espedito Di Montebranco é o entrevistado do Ensaio Geral

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Viver no mundo da arte pode parecer um universo mágico, mas em ambientes e países com pouco investimento na área, muitos imprevistos acontecem durante a caminhada. Num Brasil, onde a desigualdade e a falta de oportunidade para muitos demonstrarem seu trabalho no ambiente artístico, são recorrentes, um pernambucano 'arretado' saiu do sertão para encantar Mato Grosso do Sul com sua paixão pelo teatro, e pela arte em geral.

Espedito Di Montebranco, como é popularmente conhecido no mundo artístico, saiu de Bodocó no interior do Estado de Pernambuco, ainda muito jovem devido a situação dos pais. Foi morar em Junqueirópolis, interior de São Paulo, e ali começara sua paixão pelo teatro. Fã das aventuras dos Trapalhões, o pernambucano começara ali o desejo de atuar ao lado de seus ídolos no mundo da comédia da época. Segundo ele, era sagrado assistir ao Didi Mocó, Dedé, Mussum, Zacarias e cia, aos domingos a noite, sempre antes do programa Fantástico. Aos 52 anos, o artista já atuou em 24 filmes, e pelas suas contas, soma 25 peças teatrais.

A vida passou, mais desafios surgiram, e Espedito veio parar em Campo Grande-MS. Com a mãe cansada dos maus tratos do pai, dona Francisca seguiu rumo a Mato Grosso do Sul onde fora acolhida por uma senhora, e durante um ano morou de favor com seus filhos até conseguir recuperar os documentos que haviam sido rasgados pelo marido, além da oportunidade de emprego como faxineira do necrotério da Santa Casa. Com o salário e bicos feitos por Espedito como vendedor de coxinhas, picolé, carregador de mala de avon, jardineiro, jornaleiro, engraxate, funileiro, mecânico, auxiliar de pedreiro e tapeceiro conseguiram alugar uma casa na periferia da Cidade Morena.

Na escola, o jovem pernambucano começou a desenvolver peças teatrais com colegas de turma, e foi pegando gosto pela arte. Na 6ª série, ao descobrir que alunos ficavam de castigo na biblioteca, passou a brigar para poder passar o tempo lendo.

Depois de integrar a Patrulha Mirim de Campo Grande, tornou-se um dos primeiros a conseguir emprego através da instituição. Alguns anos depois, prestou concurso e permaneceu no funcionarismo público na Secretaria de Obras onde conheceu Aderoaldo Júnior, que escrevia poesias e tornaram-se amigos. Por ser fã dos textos desenvolvidos por Júnior, Espedito resolveu pedir ao amigo que escrevesse um poema para que ele pudesse presentear uma garota. Ao invés de escrever, Júnior incentivou que o próprio Montebranco o fizesse e passasse  para o papel suas idéias e sentimentos. Seguindo o conselho reafirmou o gosto pela escrita, criando poesias e crônicas. Em 1984, Espeditou ganha o o concurso “Campo Grande, meu amor”.

Assistindo peças de teatro de rua, encantou-se e resolveu ir atrás dos grupos de teatro de Campo Grande. Mesmo oferecendo-se para carregar caixas, auxiliar nas atividades de alguma forma somente pela proximidade, recebeu vários nãos. Mas, em 1995, descobriu que um dos novos colegas de trabalho, Marcelo Mesquita, participava do Grupo Teatral Luz do Oriente e tinha um espetáculo em cartaz. Assistiu “Noivo por Encomenda” e, tomou nota de várias sugestões. Quando questionado por Mesquita sobre o espetáculo, listou algumas observações. Com a saída do sonoplasta da peça, Marcelo e Marcos Alexandre de Mello, responsáveis pelo grupo, Espedito foi convidado a ocupar a função e, posteriormente, assumir um papel na peça. Com um pouco de receio pela falta de experiência, superou o medo aceitou o desafio.

Além de fazer uma ponta no final do espetáculo como o noivo escolhido pela personagem Ermelinda, fez intervenções entre uma e outra troca de figurino dublando o cantor Amado Batista, Fred Mercury entre outros. Com este espetáculo faz seu primeiro salário através do teatro: 15 reais em moedas em uma apresentação no Teatro da escola Elite de Rede Ensino - Mace.

Após o pontapé inicial, Espedito entrou de vez na cultura e na arte, e fez seu nome por Mato Grosso do Sul, e pelo Brasil afora com suas turnês de apresentações. Para conhecer mais histórias do artista, confira nossa entrevista com ele em nosso facebook.

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