Ensaio Geral - Athayde Nery
Entrevista | Da redação | 27/07/2017 10h50

Athayde Nery

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“Vamos mostrar a essência do que é o povo de Mato Grosso do Sul”, diz secretário sobre o Festival de Inverno de Bonito

O secretário Athayde Nery aposta na junção da cultura e da cidadania na edição do “Festival de Inverno de Bonito”, que acontece entre 27 e 30 de julho na cidade bonitense. Em 2017, a festa será dupla, já que o FIB completa 18 anos e os 40 anos de Mato Grosso do Sul são o tema do festival. Confira abaixo o bate-papo:

FIB 2017 – O Festival de Inverno de Bonito vai ter a presença das subsecretarias nesta 18 edição. Isso traz uma diversidade para o festival e coloca a cultura em contato com outras esferas. Como você analisa esta novidade?

ATHAYDE NERY – Primeiramente, essa é uma ação inédita dentro de um governo do Estado. Isso é importante. É um símbolo que estamos lançando para o Brasil de que cultura e cidadania têm que caminhar juntas, até para enfrentar esse momento que o mundo vive, de absoluta intolerância. Como você enfrenta a intolerância se você não empodera as pessoas? Estamos, na prática, mostrando isso e enfrentando as injustiças sofridas por grupos que, silenciosamente, são vilipendiados. Colocar no centro da discussão a questão indígena no Estado, tratar dos seus problemas. A questão LGBT, a questão do jovem, do negro e sua cultura, da mulher e as mudanças que a Lei Maria da Penha trouxe. Você dá a dimensão de um governo que vai trabalhar três tópicos em um momento vital para o mundo hoje, que são os direitos humanos, os direitos do cidadão e a democracia. Somente desta maneira que isso vai acontecer plenamente porque se você não tiver um governo ou um Estado que reconheça isso, não se fortalece a democracia e tudo sendo construído dentro de uma visão que tenha a paz como referência. Aqui ninguém vai ocupar o espaço do outro sem o diálogo. Isso é o que vai permear esse processo. Nada como construir o diálogo em um momento no qual se destaca o teatro, a música, a dança, o cinema, as crianças para se chegar a uma discussão de uma forma humanizada. Esse é o desafio do festival.

FIB 2017 – Este ano o festival terá a participação efetiva de estudantes, professores, artesãos, artistas visuais e músicos de Bonito e um novo espaço artístico foi criado no Centro de Múltiplo Uso (CMU). Qual a sua opinião sobre este envolvimento mais próximo da cidade de Bonito com o festival?

ATHAYDE NERY – Esse é o grande lance do festival. Pensar globalmente e agir localmente. Bonito vai transcender para o mundo inteiro e para o Brasil com a sua gente mostrando os seus valores e o seu trabalho. Dentro de uma linha em que a cidade de Bonito se torna, à sua maneira, o centro do mundo e eu acho que a gente tem de pensar desse jeito, em que você tem uma exuberância da natureza, do turismo, do que é Mato Grosso do Sul, a sustentabilidade, da finitude da água… Você coloca dentro do festival outros debates como a questão da cidade quanto ao que ela quer. Por isso, inclusive, o festival teve essa nova roupagem de trazer Jads & Jadson, como uma reivindicação muito justa da comunidade para esta 18ª edição. Mesclado com isso, Karol Conka, Ney Matogrosso (do Sul, risos), Gabriel Sater, Marcelo Loureiro, Dino Rocha, Alzira e Tetê, Beth e Betinha, Marina Peralta. Então você vê a presença de tanta gente e tantas culturas. O circo, o quilombola, os assentamentos, os indígenas. Assim, o festival se torna muito mais generoso com a cidade e com quem vai até lá. Não vai ser um festival que agride a cidade. Imagine o legado que vai ficar ali para a crianças, para as professoras. Nesta edição, a cidade se torna a grande protagonista do festival.

FIB 2017 – A Mostra Gastronômica é um evento inédito no evento. O que ela agrega ao festival nesta edição?

ATHAYDE NERY – Agrega nessa nova dimensão o que nós queremos dar à cultura. Nela, a cultura se mistura com a cidadania, com as nossas etnias, com o pertencimento. É o entendimento de que o festival não é apenas os shows, mas o diálogo com várias áreas e a questão da sustentabilidade. A gastronomia dentro desse olhar, mais do que nunca, enaltece o lugar onde você vive. Os sabores que estamos lançando em Bonito, ele exige uma sofisticação e, ao mesmo tempo, essa preocupação dos chefs do que pode representar a personalidade do festival, de Bonito e do próprio Mato Grosso do Sul. O que pode deixar de sabor para que as pessoas queiram voltar. Na verdade, é isso. O objetivo é pensar o turista como aquele que visita, experimenta, aprova e pensa: “Eu quero voltar”. E ainda divulga. Se essa preocupação for cada vez mais estimulada só trará benefícios. Vamos estimular uma área vital para construir a nossa identidade.

FIB 2017 – Estamos a uma semana do festival, qual é a sua expectativa? O que o Athayde, consumidor de cultura, está sentindo em relação ao festival?

ATHAYDE NERY – Gratidão a todos que ajudaram, que pensaram, que estão colocando na prática uma verdade importante de você saber que a cultura constrói rumos civilizatórios. É isso que vamos dar de exemplo. Estamos fazendo um festival que tem essa sensibilidade e é isso que o governador Reinaldo Azambuja sempre nos pediu. Acredito que vamos mostrar a essência do que é o povo de Mato Grosso do Sul e quais são os nossos artistas. Estamos conseguindo entrar nas três dimensões da cultura, que nós não podemos esquecer, que são a dimensão simbólica, que tem a ver com o pertencimento; a dimensão cidadã, que é essa da participação; e a dimensão econômica, ou seja, não pensar a cultura como um custo, mas um investimento. A cada real investimento são sete reais de retorno, que movimenta toda a cadeia produtiva, do vendedor de pipoca até o dono do hotel mais sofisticado serão movimentados nesse processo que está sendo feito com muito carinho. Quero agradecer a todos que participaram e agradecer ao governador por confiar. E sejam todos bem-vindos a Bonito.

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