Geral | Com Observatório do Cinema | 06/08/2026 16h23

Psycho Killer desperdiça uma boa ideia em terror previsível e sem emoção

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Filmes sobre serial killers costumam conquistar o público quando conseguem equilibrar mistério, investigação e um vilão realmente assustador. Psycho Killer: Em Busca do Assassino, disponível no Disney+, tenta seguir esse caminho, mas tropeça em praticamente todos os elementos que fazem esse tipo de história funcionar. O resultado é um suspense genérico, sem identidade e incapaz de prender a atenção.

O roteiro, escrito por Andrew Kevin Walker, conhecido por Se7en: Os Sete Crimes Capitais, chama atenção pelo contraste com um de seus trabalhos mais elogiados. Enquanto aquele clássico constrói tensão crescente e personagens complexos, aqui tudo parece apressado, superficial e sem impacto emocional.

Um terror que nunca cria suspense

A trama acompanha Jane Archer, uma policial rodoviária cuja vida muda completamente após testemunhar o assassinato do marido nas mãos de um serial killer conhecido como Assassino Satânico. Movida pelo desejo de vingança, ela decide perseguir o criminoso mesmo enfrentando a resistência do FBI.

A premissa poderia render um thriller envolvente, mas o roteiro escolhe o caminho mais fácil.

A investigação avança por coincidências, pistas simples demais e soluções pouco convincentes. Em diversos momentos, Jane parece resolver o caso com facilidade, enquanto agentes muito mais experientes permanecem sempre um passo atrás.

Essa falta de lógica enfraquece completamente a narrativa.

Em vez de acompanhar uma investigação cheia de obstáculos, o espectador vê acontecimentos que parecem existir apenas para levar a protagonista rapidamente até o confronto final.

Nem mesmo o assassino consegue transmitir ameaça. O filme insiste em esconder seu rosto durante boa parte da história, mas o excesso desse recurso acaba produzindo o efeito contrário.

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Aos poucos, o vilão deixa de parecer misterioso e passa a soar quase caricatural, principalmente pela máscara e pela voz exagerada.

Personagens rasos e pouca emoção

Outro problema está na construção dos personagens.

Jane deveria ser uma protagonista marcada pelo trauma da perda do marido, mas o roteiro dedica pouco tempo ao seu sofrimento. A interpretação de Georgina Campbell também não consegue transmitir o peso emocional necessário para sustentar a jornada da personagem.

O restante do elenco recebe material ainda mais limitado. Malcolm McDowell aparece muito pouco em cena, apesar do destaque dado ao seu nome na divulgação do filme. Seu personagem parece importante para a trama, mas acaba sendo pouco desenvolvido.

A direção de Gavin Polone também contribui para a sensação de improviso. Algumas cenas de violência usam efeitos digitais pouco convincentes, enquanto a encenação lembra produções de orçamento muito menor. Em vários momentos, o suspense dá lugar a situações involuntariamente engraçadas.

O filme ainda tenta abordar temas como fanatismo religioso, satanismo e dependência química, mas nenhuma dessas ideias recebe desenvolvimento suficiente para acrescentar profundidade à história.

No fim, Psycho Killer: Em Busca do Assassino reúne todos os ingredientes tradicionais de um thriller sobre serial killers, mas não consegue transformar nenhum deles em algo memorável. Sem personagens envolventes, sem investigação convincente e sem um antagonista realmente assustador, o longa termina deixando a sensação de uma oportunidade desperdiçada.

Nota: ★★☆☆☆ (2/5)

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