Cinema | Com Observatório do Cinema | 03/07/2026 11h24

Silo – Crítica: 3ª temporada entrega respostas sem perder o mistério

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O passado rouba a cena

A maior novidade da temporada é a inclusão de uma linha do tempo ambientada antes do apocalipse. Daniel e Helen deixam de ser apenas uma breve aparição do final da segunda temporada para se tornarem protagonistas de uma história própria.

A escolha poderia ter quebrado o ritmo da série, mas acontece justamente o contrário. A investigação conduzida pelos dois personagens se transforma no ponto mais interessante da temporada. Cada descoberta ajuda a explicar acontecimentos vistos anteriormente e faz o espectador enxergar todo o universo de Silo por outro ângulo.

Ashley Zukerman e Jessica Henwick têm ótima química em cena e conseguem transmitir a sensação de urgência que acompanha seus personagens. Conforme a conspiração cresce, aumenta também a expectativa para descobrir como suas decisões influenciarão o futuro mostrado na série.

É raro ver uma produção mudar tanto sua estrutura já na terceira temporada. Ainda assim, Silo faz essa transição de maneira natural, dando a impressão de que essa sempre foi a direção planejada.

Juliette continua importante

Rebecca Ferguson segue sendo o coração da série, mas desta vez sua história perde um pouco do protagonismo.

Após retornar ao Silo 18, Juliette enfrenta uma situação completamente diferente da esperada. A perda de memória coloca a personagem em uma posição vulnerável e permite que Ferguson explore um lado mais humano e menos determinado da protagonista.

Embora essa mudança funcione dramaticamente, ela também desacelera parte da narrativa. Em vários momentos, a impressão é que a temporada demora mais do que deveria para fazer Juliette recuperar espaço dentro da história principal.

Não significa que sua trama seja ruim. Pelo contrário. Ainda existem boas revelações, reviravoltas e momentos de tensão. O problema é que o passado acaba sendo muito mais fascinante do que tudo o que acontece no presente.

Um universo ainda maior

Outro mérito da temporada é ampliar o elenco sem perder a identidade da série. Robert Sims continua sendo uma presença forte, enquanto Camille Sims ganha um desenvolvimento muito maior e surpreende ao assumir um papel decisivo na trama. A série também aproveita para aprofundar o funcionamento do Algoritmo e reforçar os riscos do Protocolo de Segurança, aumentando a sensação de que qualquer erro pode provocar uma tragédia irreversível.

Ao mesmo tempo, o roteiro prepara cuidadosamente o caminho para a quarta e última temporada. Em vez de apenas criar suspense, os episódios organizam as peças que devem levar ao confronto final.

Vale a pena?

A terceira temporada de Silo consegue algo raro: reinventar uma série que já funcionava muito bem.

Ao apostar em uma narrativa dividida entre passado e presente, a produção amplia sua escala sem perder a essência. Ainda existem pequenos problemas de ritmo, principalmente na história de Juliette, mas eles são compensados pela força dos novos personagens e pelas revelações sobre a origem dos silos.

No fim, a sensação é de que a série encontrou sua forma mais ambiciosa justamente antes do encerramento. Se a quarta e última temporada conseguir manter esse nível, Silo tem tudo para terminar como uma das melhores produções de ficção científica da Apple TV.

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