Cinema | Com Observatório do Cinema | 22/08/2026 07h00

One Piece: Elbaf – Crítica: Episódio 1174 segura arco até sem Luffy

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Tem episódio que empolga e tem episódio que emociona. E tem o episódio 1174 de One Piece, que faz algo mais raro e mais cruel: te deixa de punhos cerrados, sem poder fazer absolutamente nada, exatamente como cada personagem.

O episódio 1174, “Salvem as Crianças! Os Guerreiros de Elbaf Entram em Ação”, prometia a virada. Os gigantes se levantam, a contraofensiva começa, o título grita ação. E aí vem o soco: eles reagem… e continua não sendo suficiente. Este é um episódio construído inteiro sobre a impotência e, contra todas as apostas, ele transforma isso em uma das horas mais tensas do arco.

O resgate mais impotente do arco de Elbaf

Aqui está a genialidade sádica do plano dos Cavaleiros de Deus e o motivo do episódio funcionar apesar de “não acontecer muita coisa”. As crianças de Elbaf caminham em transe, envoltas pelos espinhos invisíveis e duros como aço da Iba Iba no Mi de Shepherd Sommers. E os medos delas, materializados por Killingham, atacam a ilha como monstros de verdade.

Pensa na sacada: força bruta não resolve nada. Os gigantes não podem pegar as crianças no colo sem feri-las. Não podem contê-las sem que elas se machuquem entre si. Não podem ignorar as criaturas que barram qualquer aproximação.

Elbaf é a terra dos guerreiros mais fortes do mundo e o episódio inteiro se apoia na ironia de que toda essa força bate de frente com um plano desenhado para anulá-la. É gente enorme, com poder de sobra, reduzida a espectadora. Poucos vilões de One Piece humilharam os heróis com tanta elegância.

Saul sangra, Robin assiste

O coração do episódio é Jaguar D. Saul. Ele insiste em blindar as crianças e paga o preço: os espinhos de Sommers o rasgam enquanto ele tenta abrir caminho. A episódio não te poupa dessa imagem, e é aí que ele encontra sua alma.

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Agora a parte que mais me incendiou: Nico Robin e Chopper, escondidos na barba de Saul, obrigados a só assistir. Como a Robin, justo ela, fica parada vendo Saul se machucar? Reação legítima. Mas seguro o impulso, porque o roteiro é mais esperto do que a frustração deixa ver: Saul pede que os dois não se metam, e a habilidade de Robin é um desastre para este confronto.

As crianças-gigantes são grandes demais para ela conter, e o dano dos espinhos ricochetearia direto no corpo dela. O problema? Esse tipo de tensão só se paga na semana seguinte e o episódio 1174 aposta pesado na paciência.

Sem Luffy, sem piada
O respiro vem de Brook e do avanço dos gigantes ao lado de Scopper Gaban. E tem um detalhe de mundo aqui: nem os Cavaleiros de Deus conseguem negar a fama de Brook como músico, um gancho que o arco vai cobrar rapidinho. Ver os guerreiros de Elbaf finalmente marchando, com Gaban à frente, entrega o pico de adrenalina que o título prometeu.

Vale marcar a raridade: é um episódio quase sem Luffy, algo incomum em One Piece. Para muita gente, isso, somado ao ritmo contido e à ausência dos alívios cômicos de sempre, deixa tudo lento demais. Crítica justa.

Veredito
Como episódio solo, 1174 é lento e frustrante de propósito. Mas é uma ponte que se banca: sustenta um dos dilemas mais cruéis do arco e dá peso à impotência dos heróis.

O 1174º episódio do arco de Elbaf está disponível no Crunchyroll.

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