One Piece: Elbaf – Crítica: Episódio 1170 prova que Gear 5 ainda é pouco

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Cinema | João Belarmindo | 20/07/2026 12h52

One Piece: Elbaf – Crítica: Episódio 1170 prova que Gear 5 ainda é pouco

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Um teste que Luffy passou perdendo.

O episódio 1170 de One Piece constrói a cena mais aguardada do arco de Elbaf sobre um paradoxo: Scopper Gaban, a asa esquerda dos Piratas do Roger, enfrenta Luffy e Zoro em dois contra um, atropela até a transformação em Gear 5 e, no fim, simplesmente devolve a chave.

A luta que a prévia vendia como o grande embate do momento nunca foi uma luta. Foi um exame e, é justamente por assumir isso sem meias-palavras que o episódio funciona.

Um duelo que sempre foi um teste

Gaban passou vinte anos escondido em Elbaf, casado com Ripley e pai de Colon, e o roteiro nunca finge que o confronto é sobre hostilidade. Ele mede Luffy. Mesmo com o futuro Rei dos Piratas puxando o Gear 5, o veterano dita o ritmo do embate inteiro, desviando, contragolpeando e transformando a disputa pela chave em uma aula sobre o abismo que ainda separa a nova geração dos monstros da era do Roger.

A escrita amarra essa ideia com a fala de Scopper: “olhe para trás, você já tem a chave”, que rapidamente lemos como um trocadilho com o chapéu de palha nas costas de Luffy.

Não é preciso comprar a teoria para reconhecer o acerto dramático: a rendição chega como anticlímax proposital, e o episódio tem confiança suficiente para não inflar um combate que a história nunca prometeu resolver na porrada.

A melhor entrega técnica de Elbaf desde o retorno

Tecnicamente, é o ponto mais alto do anime desde a volta do hiato. A animação sustenta qualidade mesmo fora das trocas de golpe, e o estúdio se dá ao luxo de inserir um Gaban mais jovem no meio da confusão de abertura sem perder legibilidade.

A sequência de invocação de Killingham e Sommers é o pico visual do episódio, com um design que ainda flerta com a nostalgia de Enies Lobby na silhueta alongada de Sommers. Some a isso a trilha, que continua sendo um dos trunfos de Elbaf, e a impressão é de um episódio que sabe exatamente onde gastar cada frame.

O ponto fraco: um capítulo por episódio ainda cobra o pedágio

O calcanhar de aquiles é o mesmo de sempre, e é honesto admitir que ele não some porque o episódio é bonito. Adaptar um único capítulo em vinte minutos obriga o roteiro a esticar de um a dois eventos para preencher o tempo, e há trechos em que dá para sentir a diluição, sobretudo nas transições entre a exposição do teste e o desfecho.

É uma limitação estrutural imposta pelas 26 semanas anuais de produção, não um deslize pontual, mas o resultado prático é que até um episódio deste calibre carrega uma sensação de arrasto. Quem acompanha semana a semana já negociou essa troca; quem chegar depois, em maratona, dificilmente vai notar.

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