Cinema | Com Observatório do Cinema | 13/08/2026 14h45

O Fim da Rua - Crítica: bobo, derivativo e divertido

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Em O Fim da Rua, um evento cósmico misterioso arranca as ruas, casas, quintais, vizinhos e tudo mais de um subúrbio americano dos anos 1980 e os transporta, intactos, para uma paisagem pré-histórica.

A família Platt, liderada por Denise (Anne Hathaway) e Greg (Ewan McGregor), precisa manter-se unida para sobreviver num ambiente hostil que agora inclui dinossauros como novos vizinhos.

Minha impressão

Entro nesse filme já torcendo a favor: sou suspeito para falar bem de qualquer coisa que misture nostalgia dos anos 80 com uma premissa tão absurda quanto genial. E O Fim da Rua sabe exatamente que carta está jogando.

A ideia de arrancar uma rua inteira do subúrbio americano e jogá-la no meio da era Jurássica é o tipo de conceito que só funciona se o diretor levar a sério o lado bobo da coisa, e David Robert Mitchell entende isso.

Ele filma uma churrasqueira sendo derrubada por um raptor com a mesma seriedade com que filmaria uma cena de guerra, e é exatamente essa cara de pau que faz o filme funcionar na maior parte do tempo.

Hathaway e McGregor seguram o núcleo familiar em meio ao caos, e as sequências de ação com os dinossauros, coreografadas dentro dos limites de um bairro residencial, têm uma inventividade que muita franquia consolidada já perdeu.

Um ponto que é preciso reconhecer
Não vou fingir que esse é um consenso, e acho importante ser honesto sobre isso. É um filme que divide, e entendo os dois lados. Existe uma leitura mais generosa, que vê nele uma homenagem honesta às técnicas de blockbuster do passado, um resgate bem-intencionado do espírito Amblin em plena era de franquias desgastadas.

E existe uma leitura mais dura, que enxerga nisso tudo pouco mais que um “cosplay” nostálgico, uma obra que se apoia demais em referências alheias em vez de construir identidade própria, e que, levada a sério, chega a soar deprimente e brutal por trás da fachada divertida.

Fico em algum lugar confortável no meio desse espectro. Concordo que o filme não reinventa nada e que, em certos trechos, a “cara de pau” vira mesmo preguiça de roteiro.

Mas discordo de quem trata isso como um defeito fatal: para mim, a intenção declarada de ser um filme sem pretensão de franquia é o que salva o conjunto.

Pontos fortes
Reconstituição de época impecável, com fotografia e design de produção de primeira linha;
Atuações seguras de Hathaway e McGregor;
CGI de dinossauros e cenas de ação bem coreografadas dentro do espaço doméstico;
Bom equilíbrio entre humor, tensão e emoção.
O Fim da Rua
Pontos fracos
Pouca explicação sobre a origem do fenômeno cósmico;
Muito derivativo de “Jurassic Park” nas sequências de ação;
Final apressado e desfecho pouco convincente.
O Fim da Rua
Vale a pena?
Vale, principalmente no cinema. Não é um filme perfeito nem particularmente original; ele sabe disso e nem tenta esconder, mas entrega o que promete: um espetáculo com coração, humor e um conceito criativo o suficiente para carregar suas próprias falhas.

Recomendo para quem cresceu com Spielberg e Amblin, e para quem topa desligar o cérebro por hora e meia em troca de churrasqueiras sendo destruídas por dinossauros.

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