Cinema | Com Observatório do Cinema | 07/08/2026 16h30

A Última Casa - Crítica: Filme desperdiça uma ótima ideia com roteiro confuso

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O diretor Louis Leterrier parte de uma premissa que desperta curiosidade imediata em A Última Casa. Uma família acorda presa dentro da própria casa enquanto uma chuva misteriosa transforma o lado de fora em um lugar inacessível. Sem conseguir abrir portas, quebrar janelas ou entrar em contato com o mundo exterior, resta apenas esperar e tentar sobreviver.

É o tipo de conceito que poderia render um suspense psicológico envolvente, misturando isolamento, paranoia e drama familiar.

No entanto, o filme da Netflix raramente consegue transformar essa boa ideia em uma experiência realmente interessante. Conforme a história avança, fica evidente que a produção aposta mais no mistério do que na construção dos personagens ou da tensão.

Um suspense que perde força rapidamente
O maior problema de A Última Casa está no roteiro de Matthew Robinson.

Em vez de deixar o público descobrir aos poucos as regras daquele universo, o filme faz escolhas que diminuem o impacto da própria história. Algumas explicações surgem cedo demais, enquanto outras ficam superficiais, tornando o mistério menos intrigante do que deveria.

A direção de Leterrier também contribui para essa sensação.

O ritmo acelerado impede que o peso da situação seja sentido pelos personagens. Dias e até meses passam rapidamente, mas a narrativa não transmite a sensação de desgaste físico e emocional que um confinamento dessa natureza deveria provocar. A montagem ainda aposta em cortes constantes que, em vez de aumentar a tensão, acabam deixando diversas cenas apressadas.

Os diálogos também não ajudam.

Muitos momentos soam artificiais, com conversas que existem apenas para explicar a trama ao espectador. Em vez de parecerem pessoas enfrentando uma situação extrema, os integrantes da família frequentemente agem de maneira pouco convincente.

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Wagner Moura e Greta Lee são atores talentosos, mas encontram pouco espaço para mostrar isso.

Seus personagens recebem conflitos interessantes no papel, porém o roteiro não desenvolve essas ideias de forma consistente. Como resultado, os dois passam boa parte do tempo tentando dar emoção a cenas que não oferecem material suficiente.

Curiosamente, o elemento mais forte da produção é justamente a casa. O trabalho de direção de arte faz com que o ambiente acompanhe a passagem do tempo, mudando conforme o isolamento se prolonga. O cenário transmite desgaste, improviso e decadência, funcionando como o principal indicador da longa jornada vivida pela família.

Já o desfecho segue a mesma linha do restante do filme.

A explicação para o fenômeno que prende os personagens até desperta interesse, mas é pouco explorada e deixa mais perguntas do que respostas. Em vez de provocar reflexão, o final passa a impressão de que a história simplesmente não encontrou uma forma satisfatória de concluir seu próprio mistério.

A Última Casa tinha todos os ingredientes para se tornar um suspense marcante da Netflix. O elenco é competente, a premissa chama atenção e o isolamento dentro de um único cenário cria boas possibilidades dramáticas.

Porém, o roteiro confuso, os personagens pouco desenvolvidos e uma execução irregular fazem com que o filme desperdice quase todo esse potencial.

Nota: ★★☆☆☆ (2/5)

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