O 5º episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão é disperso e, por quase uma hora, o mais próximo de um verdadeiro tropeço de meio de temporada

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Cinema | João Belarmindo | 20/07/2026 15h32

A Casa do Dragão – Crítica: 5º episódio se redime nos 5 minutos finais

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Um capítulo de arrumação salvo pelos seus extremos.

O 5º episódio da 3ª temporada de A Casa do Dragão é disperso e, por quase uma hora, o mais próximo de um verdadeiro tropeço de meio de temporada. Ele espalha atenção entre seis frentes, não resolve quase nenhuma e insiste em adiar o confronto que todos esperam.

E então, nos últimos minutos, entrega a cena mais perturbadora que a série já produziu, num daqueles fechamentos que redimem retroativamente boa parte do que veio antes. É um episódio que testa a paciência do público de propósito, e que só se salva porque sabe exatamente onde quer chegar.

A aposta na política, de novo

Desde o começo da temporada, o showrunner Ryan Condal vem trocando dragões por tabuleiro, e essa troca já rendeu o melhor da série. O problema do episódio 5 é que ele leva a fórmula ao ponto de saturação: quase todo o capítulo é feito de gente se posicionando, marchando ou conversando sobre o que vai acontecer, e muito pouco de coisas efetivamente acontecendo.

A série adapta Fogo & Sangue, um livro que despacha esse trecho da guerra em poucas páginas, e a decisão de expandir cada intriga em cenas longas, normalmente um trunfo, aqui começa a cobrar o preço da dispersão.

Não é que a política tenha ficado fraca; é que ela ficou espalhada. Quando a série concentra o foco, o resultado ainda é excelente. O episódio só sofre quando pula rápido demais entre linhas que avançam em ritmos muito diferentes.

Onde o episódio brilha

Duas linhas seguram o capítulo sozinhas. A primeira é a de Olivia Cooke como Alicent, que entrega a melhor atuação da noite num gesto quase silencioso: beber a poção abortiva no lugar da filha, mentindo para Mysaria. É a Alicent mais trágica até agora, uma mulher que perdeu tudo e ainda encontra o que sacrificar.

A segunda é a marcha suicida de Criston Cole. Fabien Frankel constrói toda a sequência sem precisar dizer o que se passa: percebemos, junto com Gwayne, que Cole não está mais tentando vencer, está procurando um lugar honroso para morrer.

É a conclusão silenciosa de um arco de culpa que a série vinha costurando há duas temporadas, e Frankel a interpreta com uma resignação que dispensa qualquer discurso.

O vilão que não aparece e ainda assim domina

O grande acerto de estrutura do episódio é fazer de James Norton uma presença que assombra sem estar em cena. Ormund Hightower quase não aparece, mas cada Manto Dourado morto, cada moeda cunhada com o rosto de Daeron, é obra dele.

É a construção de vilão mais inteligente da temporada: um homem que coroa um rei e conduz um massacre à distância, transformando Porto Real num campo minado enquanto todos o imaginam recolhido. Norton segue sendo a melhor adição do elenco, e a série é esperta ao racionar sua presença.

Os pontos fracos

É aqui que o episódio cobra a conta. A linha de Tom Glynn-Carney como Aegon, a peregrinação pela estrada até reencontrar Tyland Lannister, é a que mais parece marcação de passo: rende uma boa cena de violência e pouco mais, funcionando como transporte de peça em vez de arco dramático.

A ambiguidade entre Aemond, vivido por Ewan Mitchell, e Alys Rivers já foi provocativa, mas aqui repete a mesma nota de “ela o guia ou o usa?” pela terceira vez sem avançar.

E o problema maior é de arquitetura: por ser um episódio de transição, ele deixa quase tudo em suspenso (a Alicent presa no escuro, o destino de Cole, a próxima jogada de Daemon) de um jeito que só vai valer a pena se os capítulos seguintes pagarem o que este apenas prometeu. Assistido isoladamente, é o mais frustrante da segunda metade.

Veredito

O episódio 5 é o elo mais fraco desta reta final, um capítulo de arrumação que se espalha demais e testa a paciência, mas é resgatado por três cenas de primeira e por um fechamento inesquecível. Vale menos pelo conjunto do que pelos picos, e depende dos próximos episódios para justificar sua lentidão.

Como a temporada tem oito episódios e já passamos da metade, dá para arriscar uma leitura: A Casa do Dragão continua sendo a melhor série atualmente, mas precisa parar de adiar a colisão que vem prometendo desde a estreia

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