Cinema | Com Observatório do Cinema | 06/07/2026 12h17

A Casa do Dragão – Crítica: 3º episódio troca o fogo de dragão pelo veneno

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Vencer a guerra é o menor dos problemas de Rhaenyra

Se a estreia da temporada foi barulho e sangue na Batalha da Goela, o episódio 3 é o oposto exato: um retrato claustrofóbico de uma rainha que conquistou tudo e não sabe o que fazer com isso.

Emma D’Arcy sustenta o episódio praticamente sozinha, e entrega talvez sua melhor atuação na série, uma Rhaenyra suada, corroída pelo luto de Jacaerys, alucinando o filho morto pelos corredores da Fortaleza Vermelha. Não é a rainha triunfante do título; é uma mulher rachando nas costuras.

Nessa nova fase, os inimigos de Rhaenyra aqui não têm dragões, têm pedidos. Corlys quer legitimar os filhos bastardos. O Alto Septão se recusa a ungi-la sem prova da morte de Aegon.

Daemon a empurra para a profecia valiriana e o delírio de virarem deuses. Cada cena é uma negociação em que a rainha descobre que a coroa vale menos do que ela imaginava, e o episódio transforma essa erosão gradual de autoridade em tensão.

Ormund Hightower, o Tywin que faltava à série

A grande revelação da temporada até aqui não é um dragão: é um homem de meia-idade com um plano melhor que o de todo mundo. James Norton transforma Ormund Hightower num antagonista de estirpe Tywin Lannister: frio, paciente, sempre um passo à frente.

Quando Matt Smith (Daemon) aparece dominar a cena de rendição, é Ormund quem já venceu: o Daeron entregue é um plebeu de cabelo tingido, e o exército verde, longe de recuar, tomou Tumbleton. O desvio em relação ao livro funcionou? A troca do Daeron falso é invenção pura da série, nada disso existe em Fogo & Sangue, de George R.R. Martin, e até a tomada de Tumbleton acontece diferente.

Mas, ao contrário de outras liberdades da adaptação, esta se justifica: dá a Ormund uma agência maquiavélica que o torna a ameaça mais interessante da temporada, e planta a semente de Tumbleton com a antecedência que o material de origem exige.

No lado dos verdes, Olivia Cooke segue jogando na contenção, uma Alicent que entendeu que sobreviver agora depende de paciência, não de poder. É o contraponto perfeito à Rhaenyra em desintegração: duas mulheres presas em jaulas diferentes do mesmo castelo.

Onde o episódio cobra o preço

Nem tudo aqui é acerto. A reviravolta do Daeron falso, por mais bem encenada que seja, chegou premeditada, o marketing e os vazamentos entregaram a carta para boa parte do público antes da hora, e um thriller perde parte do impacto quando a plateia está esperando a facada.

Há também a mão pesada em certos símbolos. A abertura da série é uma tapeçaria bordada que registra a saga Targaryen e se atualiza a cada episódio; aqui, ela se rasga ao meio para anunciar a casa partida pela guerra civil. É o tipo de metáfora que não confia na inteligência do espectador, depois de um episódio construído na sutileza, escancarar o tema assim soa fora de tom.

E fica a pergunta que só os próximos capítulos respondem: essa desaceleração é fôlego bem-vindo depois de dois episódios de guerra, ou perda de embalo numa temporada que prometeu acelerar? A resposta depende inteiramente do que Tumbleton entregar.

Veredito

Como episódio isolado, “Rhaenyra Triunfante⁩” é um sucesso: o melhor capítulo destes primeiros três, ancorado na melhor atuação de D’Arcy na série e num vilão que finalmente dá peso à ameaça verde.

A troca de dragões por paranoia é corajosa e, no geral, bem-sucedida, prova de que Ryan Condal aprendeu com as críticas de ritmo da temporada anterior sem abandonar a ambição.

O veredito da temporada, esse fica em aberto. Estamos a menos da metade de uma temporada de oito episódios, e todo o valor da preparação deste capítulo depende de Tumbleton lá na frente. O episódio 3 fez sua parte: montou a armadilha e afiou a lâmina. Se o corte vai valer a espera, os próximos cinco domingos dirão.

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