Ensaio Geral - Sem cremes e personal, presidiárias aparecem lindas em concurso de beleza
Gincana | Jeozadaque | 28/11/2011 11h38

Sem cremes e personal, presidiárias aparecem lindas em concurso de beleza

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Sem cosméticos de luxo ou personal trainer e com a vida sedentária quase que obrigatória, há quem vire miss. Nos presídios femininos de Mato Grosso do Sul, o concurso de beleza é uma das poucas diversões de mulheres que acabaram presas, a maioria por tráfico, durante namoros ou casamentos tumultuados. Ontem, mais de 200 fizeram a torcida da campo-grandense Kettryllen Ayummy, de 19 anos, uma linda japonesa de cabelos longos e negros, há nove meses presa por tráfico no bairro Jóquei Clube. A garota venceu. É a Miss Presídio MS 2011, um dos poucos sonhos possíveis diante de tantos outros que parecem cada vez mais distantes na cadeia. A vida na periferia de Campo Grande sempre foi difícil, pelas ruas com amigas que cresceram juntas, mas a maior transformação ocorreu por conta de uma paixão. “Na época da prisão eu era casada e o marido também foi preso com drogas. Cheguei a ter um filho, mas nasceu com problemas e morreu no mesmo dia”. A mãe, sem emprego no Brasil, agora mora no Japão, e a menina teve de ser criada pela avó. “Quando sair daqui vou morar com minha avó que está me esperando”. Super vaidosa, diz usar hidratante, mas não tem muita escolha. “Uso o que minha avó traz para mim. Gosto muito dos meus cabelos”, conta. O concurso abriu de novo a vontade de sonhar. “Quem sabe pode pintar um trabalho como modelo fotográfica”, diz a menina de nome difícil. Para amenizar os dias de encarceramento, Kettryllen ganhou como prêmio um aparelho de DVD, bom para as colegas de cela que de tabela ganham um passa-tempo. A candidata que levou o segundo lugar também ganhou prêmio bom para a coletividade, um ventilador. Sidinéia Hipólito Silvério, 23 anos, mora em Paranaíba, mas representou Três Lagoas na disputa. Viajou para a Capital em uma viatura da Polícia, algemada no camburão. Ela tem uma filha de 1 ano e seis meses que fica com a avó. Antes de ser presa por tráfico de drogas ela trabalhava em um dos frigoríficos da região. Sidnéia é alta e magra, um bom começo para uma miss. “Sempre fui assim e não faço dieta e nenhum tipo de ginástica para manter o corpo”, esnoba. Para a presidiária, o concurso é mais que um dia de beleza. “Nós somos muito discriminadas por que estamos aqui dentro”. É mais uma que agora pensa em seguir a carreira de modelo. As seis concorrentes na final do concurso estadual, Bataguassu, Corumbá, São Gabriel do Oeste, Rio Brilhante, Três lagoas e Campo Grande, desfilaram primeiro o traje fantasia, depois de maiô e por último com vestido de gala, tudo conseguido pela iniciativa de diretoras e funcionárias das penitenciárias. Angola - Em celas com lotação máxima, Visolela de Almeida Carlos Branco, 29 anos, tem o sotaque diferente. É angolana, mesma naturalidade da miss Universo, Leila Lopes. Mas, é claro, as histórias das duas são bem distantes. Visoleta trabalhava como cabelereira, virou traficante e foi presa em Corumbá. No concurso conseguiu a terceira colocação. “Em meio de tanta coisa ruim, hoje esqueci os problemas e estou aqui para me divertir”, mas com o olhar triste diz que sente falta da torcida da família. “Eu estou aqui sozinha, não tenho família no Brasil. Quando sair da cadeia pretendo voltar para o meu país e seguir minha vida”. Da Redação/Com Campo Grande News

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