Ensaio Geral - Juca Ferreira recebe diretor do projeto Portinari
Pintura | Da Redação/Com Ministério da Cultura | 03/04/2015 15h21

Juca Ferreira recebe diretor do projeto Portinari

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Em 1957, foram instalados dois painéis de Cândido Portinari (1903-1962) no hall de entrada da sala da Assembleia Geral, na sede das Organizações das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A famosa obra "Guerra e Paz" sintetiza, como mencionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2007, o propósito da ONU: "transformar aflições em esperanças e a guerra, em paz".  

A obra foi a principal pauta da reunião da manhã desta quarta-feira (01/04), entre o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o filho de Portinari, João Candido Portinari, diretor do projeto Portinari. 

Após passar por restauração e exposição itinerante, os painéis voltaram à sede da ONU e serão reinaugurados. A cerimônia, que deve incluir intervenções artísticas em pontos conhecidos de Nova York e ações de comunicação digital, contará com a presença do ministro da Cultura, Juca Ferreira, e de João Candido Portinari.

O diretor do Projeto Portinari explicou que, cinquenta anos após a instalação dos painéis na ONU, em 2007, a sede passou por uma ampla reforma que permitiu a volta dos painéis, ainda que provisoriamente, ao Brasil. Graças ao projeto Portinari, que contou com apoio do Ministério da Cultura, a obra foi restaurada e exibida em diversas capitais brasileiras e no Grand Palais, em Paris, na França.

Em dezembro, a obra retornou a Nova York e está, desde então, coberta por um véu, aguardando a reinauguração oficial neste ano. "Esse momento da volta de Guerra e Paz é emblemático e histórico. Os painéis são considerados como dois embaixadores da missão da ONU. Materializam em arte a sua missão", afirma. "Acho importante que o brasil valorize esse momento e faça algo inesquecível, que toque novamente o coração dos brasileiros", avalia João Candido Portinari.

O diretor citou um dos traços mais marcantes da obra de seu pai: o comprometimento com o ser humano. "Foi um dos primeiros artistas a denunciar as injustiças sociais e travou luta grande na pintura, militância e política em prol da paz e fraternidade. Sempre manteve esse comprometimento", lembra. "Quando pintou Guerra e Paz não podia pintar por que sofria intoxicação pelas tintas, mas continuou porque sabia que seria uma oportunidade e uma forma de passar sua mensagem ética."

Cândido Portinari nasceu em 30 de dezembro de 1903 no interior do Estado de São Paulo. Viveu sua infância na pequena cidade de Brodowski e, aos 15 anos, saiu de sua terra natal para o Rio de Janeiro. Sem curso primário completo, tornou-se um dos mais famosos pintores das Américas.

Em 1962, aos 58 anos, morreu e deixou um legado de mais de cinco mil trabalhos, como murais, afrescos, painéis, pinturas, desenhos e gravuras. As obras representam uma ampla síntese crítica de todos os aspectos da vida brasileira de seu tempo.

Durante o período de criação dos painéis Guerra e Paz, Portinari foi proibido de pintar pelos médicos, na tentativa de frear o processo de contaminação pelas tintas.  Na tarefa, o artista teve o auxílio dos pintores Enrico Bianco e Rosalina Leão. 

Segundo Bianco, não há um centímetro quadrado nos painéis que não tenha a pincelada de Portinari, que usou pincéis pequenos, para quadros de cavalete. Em nove meses, completou os monumentais paredões de 14 metros de altura e 10 metros de largura.

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