Oficina | Da reda~ | 09/08/2016 14h12

Oficinas de arte do 1°Seminário Estadual Cultura e Educação atraem público diversificado e reforçam interdisciplinaridade

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O 1°Seminário Estadual Cultura e Educação – Território da arte na Escola, promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei) e Secretaria de Educação, reuniu dezenas de pessoas no Memorial da Cultura e da Cidadania neste final de semana. Na tarde do último domingo (7) foram realizadas quatro oficinas, sendo Contação de Histórias, Cinema/Cineclubes, Cultura Popular e Cultura Digital.

A Oficina de Contação de Histórias foi ministrada por Ciro Ferreira, graduado em Artes Cênicas pela UEMS com pós-graduação em Educação Especial. Ciro é professor da Pestalozzi e da rede pública de ensino, assumiu recentemente uma cadeira na Academia Brasileira de Contadores de Histórias e viaja pelo Estado ministrando oficinas. Ele explica que a contação de histórias parte da vivência e da experiência de cada um, não é técnica, vai se construindo.

“Aqui neste evento temos tempo para viver, experimentar e mostrar o resultado para vermos como é feita. Ao contrário do que muita gente pensa, a contação não é só para crianças, mas também para adultos. Não é teatrinho, um teatro pobre como muita gente acha. Agrega valores e tem sua identidade”, explica.

A acadêmica de Artes Visuais, Andrelina Ferreira dos Santos, diz achar interessante a contação de histórias porque faz parte da vivência da criança. “Ela fica mais calma, fica mais na cabeça [a história], estimula a criança a aprender, entretém a criança. É uma forma de aprender, inspirar, já era usada por nossos avós, nossos tios”.

Para a pedagoga e acadêmica de Artes Visuais, Adriana Febraro de Oliveira, a contação de histórias é um recurso incrível para trabalhar com crianças. “Fiz um curso pela Semed, na creche da Omep do bairro Tiradentes. Facilita não só a linguagem, mas o visual também, a criatividade, pode-se trabalhar não só a língua portuguesa, mas história, geografia, entre outros. É muito interessante”, declarou.

Cultura Digital

A oficina de Cultura Digital foi ministrada pelo professor da UFMS e participante do grupo de pesquisa Algoritmo, arquiteto Gilfranco Alves. Este grupo vem se dedicando desde o começo de 2013 ao estudo dos processos digitais de projeto e na verificação de suas diversas possibilidades de aplicação, especialmente em sala de aula e no ensino de projeto de arquitetura.

Gilfranco diz que já existe uma geração de nativos da tecnologia. “Meu filho se alfabetizou usando programas, quando foi para a escola já sabia ler, de maneira precoce”. Ele diz também que numa conferência por Skype pode-se potencializar uma aula. “Já participei de bancas em que um dos componentes estava ‘presente’ por Skype. Essa capacidade ainda é pouco explorada”.

Ele está com uma exposição na Morada dos Baís com objetos utilizando técnicas de última geração, como impressora 3D, exercícios de anamorfose (que desconstrói imagens em pixels de forma que só seja reconhecida num determinado ponto) e vídeo mapping com animações de obras de Lídia Baís. “Todos estamos em contato num planeta que ficou pequeno. A internet nos possibilita isso. A grande questão é saber filtrar a informação valiosa da que não tem procedência”.

A participante Marly Fátima Rondon de Andrade, professora de Artes da Rede Estadual de Ensino, decidiu fazer a oficina para aprimorar seus conhecimentos e prática pedagógica, que está inserida num sistema moderno e atual. “Busco oferecer uma aula mais dinâmica, que condiz com o aluno hoje, ligação com a vida on-line. A aprendizagem acontece mais rapidamente pelo interesse que esse aluno vai ter”, explicou.

A professora de Artes, História e Letras do município de Vicentina, Aparecida Rodrigues de Carvalho, buscou na oficina algo que possa aplicar com o aluno. A escola em que leciona, Escola Estadual Padre José Daniel, é muito bem equipada. “Eu busco que o aluno não só aprenda no sentido de olhar para mim, mas que apreenda e entenda o que eu falo. A escola tem sala multimeios, multimídia, lousa digital, os alunos têm celulares. Eu já uso essas ferramentas na aula, mas quero achar algo de novo que possa levar mais meios de usar os recursos para levar o conhecimento”.

Cultura Popular

A oficina de Cultura Popular foi ministrada por Marlei Cunha. Nascido em Costa Rica, graduado em Artes Cênicas em São Paulo e com 30 livros publicados sobre teatro, cultura popular, poesia e história, ele explica que a cultura popular é tudo aquilo que é passado de geração a geração. “Podem ser objetos que se usam em casa, ornamentos, linguagem e literatura, como ditados, trava-línguas, ‘causos’, adivinhações, cirandas, brinquedos”.

Ele participa ministrando oficinas, pois tem interesse em outras cidades, para coletar material para seus livros. “A cultura tem força de transformação da sociedade. Temos que buscar a identidade cultural do Estado, buscar os problemas dos alunos para resolver, como estar em uma comunidade [por exemplo]”.

O músico e professor de música da Escola Municipal Ana Lúcia de Oliveira Batista, Paulo Gaúna, gosta muito de trabalhar com a identidade dentro da música. “A cultura popular é um viés riquíssimo. Trabalho com tradições, símbolos, significados de forma muito forte, com tudo que ela traz. Isso para a criança é enriquecedor, quais são seus costumes, como são as pessoas daqui, como se encontram nesse caldeirão que é o Brasil”.

Cinema e Cineclubes

A oficina de Cinema/Cineclubes, ministrada por Carolina Sartomen e Eduardo Paes Aguiar, foi realizada no auditório do MIS. Carolina é formada em Letras, tem mestrado em Estudo de Linguagens, é doutoranda em Letras e diretora de formação e projetos do Conselho Nacional de Cineclubes. Eduardo é presidente do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros.

Carolina diz que o objetivo da oficina é incentivar a criação de cineclubes nas escolas, sensibilizar diante da estética do cinema, despertar o senso crítico e o exercício da cidadania por meio da arte, bem como alavancar o protagonismo estudantil e a emancipação cultural.

A oficina apresentou conceitos de cineclubes, a história do movimento no Brasil, estratégias de leituras de cinema, formação de equipes de cineclube e foram exibidos curtas de cineclubes do Brasil.

Eduardo Paes afirma que o movimento cineclubista no país está ativo, porém, não tão organizado. “Existem cineclubes em todos os Estados da Federação e 400 deles são filiados ao Conselho. Os objetivos são dar acesso ao público brasileiro ao cinema produzido no país, dar acesso para se apropriar da linguagem audiovisual, e, para que através dos filmes esses jovens consigam exercer melhor sua cidadania. Os professores [participantes da oficina] são bastante falantes, participativos, muito interessados. Como comunidade, as escolas podem pensar e produzir filmes. Pela Lei 13.006, é obrigatório que todas as escolas do país exibam pelo menos duas horas de filme nacional por mês”.

Ester Saray Macedo Ramires, professora de Artes do quinto ano do ensino fundamental ao EJA, afirma gostar da linguagem do audiovisual. “Venho me inteirando sobre trabalhar filmes em sala de aula, como funciona o cineclube, pois pretendo implantar na minha escola [Estadual Orsírio Tiago de Oliveira]. No terceiro ano do ensino médio está sendo ministrada a história do cinema. Pretendemos trazer os alunos para visitar o MIS. Eles gostam muito, estão acostumados em assistir nas salas de cinema os filmes comerciais. Estamos na tentativa de mostrar o outro lado, que existem bons filmes nacionais e regionais que eles desconhecem”, finalizou.

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