Ensaio Geral - Reeducandas da Capital aprendem a confeccionar adereços que serão utilizados em desfile
Moda e Tendências | Da redação | 09/05/2018 08h21

Reeducandas da Capital aprendem a confeccionar adereços que serão utilizados em desfile

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Reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ), estão participando da “Oficina de Adereços”. O trabalho artesanal desenvolvido pelas internas será divulgado durante o desfile “Encantos do Mato Grosso do Sul”, que será realizado no dia 29 de setembro no Centro de Convivência do Idoso “Vovó Ziza”. A iniciativa faz parte da parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Unicesumar.

O curso será ministrado pela acadêmica de Designer de Moda e idealizadora do desfile, Sebastiana de Sousa, de 72 anos, que costura há mais de 55 anos. Para o evento, as internas ficarão responsáveis pela confecção dos adereços das peças de roupas.

Segundo a estudante, esse projeto surgiu de um sonho que teve e todos os modelos das roupas serão desenhados por ela. “Os enfeites serão confeccionados pelas detentas, essa colaboração vai ser essencial e acredito que será uma troca de experiências”, afirmou a costureira que também atua como designer de vestidos de alta costura.

No momento, seis internas estão sendo qualificadas. A previsão é que sejam confeccionados adereços para 14 modelos de vestidos, que vão representar todas as formas de ambientes naturais que existem no Pantanal.

Para a coordenadora da Unicesumar do polo de Campo Grande, Milene Amélia Domingues, além de levar ocupação produtiva às reeducandas, os ensinamentos irão incentivar e despertar o interesse para esse ramo profissional. “É uma capacitação que pode ser utilizada quando conquistarem a liberdade, nossa intenção é realizar outras qualificações nessa área para aperfeiçoar ainda mais as técnicas delas”, destacou.

Costureira desde os 18 anos, a reeducanda Juliana Roas Santiago, 27 anos, aproveita a qualificação para aperfeiçoar suas técnicas. “Pretendo sempre aprender mais para aproveitar na prática todos os ensinamentos, mesmo porque lá fora todo curso tem que pagar e aqui no presídio temos oportunidade de graça, então, eu não perco nenhuma”, conta a interna que trabalha na oficina de artesanato da unidade.

Especialista em tapetes de crochê e barrado de macramê, a interna Elizabeth Fialho, 37 anos, conta que a instrutora é uma inspiração para ela, que além dos ensinamentos mostra que nunca é tarde para recomeçar. “O meu sonho é mostrar que eu posso e vou conseguir sair da prisão e ter uma vida honesta, para isso quero aplicar essas técnicas de adereços nas peças em macramê, que é o que mais gosto de fazer e poder comercializar peças exclusivas”, explica a interna que também já concluiu cursos de rosas em EVA, confecção de canetas artesanais e outros na parte de estética, realizados dentro da unidade penal.

Conforme a chefe da Divisão de Assistência Educacional da Agepen, Rita de Cássia Argolo Fonseca, essa qualificação visa capacitar e profissionalizar as internas para que possam, futuramente, ter condições de manter a família com um trabalho qualificado e mais adequado. “Além disso, já estamos viabilizando com a Unicesumar um curso de produção de desenhos de moda e modelos de vestidos, que vai aprofundar ainda mais as técnicas das reeducandas”, explica Rita.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, as assistências oferecidas dentro das unidades penais do estado visam capacitar os custodiados e possibilitar uma reintegração social efetiva. “A educação aliada ao trabalho são ferramentas concretas para alcançarmos a missão de devolver pessoas melhores à sociedade”, afirmou o dirigente agradecendo às inúmeras parcerias do sistema prisional que tornam isso possível.

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