Exposição | Da redação | 31/08/2016 14h06

Marco abre temporada com mostras e olhares diversificados

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A 3ª temporada de Exposições do Museu de Arte Contemporânea (MARCO) de 2016 está com quatro mostras e olhares diversificados sobre o quotidiano. São instalações, pinturas, gravuras e esculturas de artistas renomados, que mexem com os sentidos do público. A abertura foi realizada nesta terça-feira (30) e a exposição segue até o dia 30 de outubro, com entrada franca.

A coordenadora do Marco, Maysa Barros, destacou o compromisso com a política social. “Museus são espaços de reflexão que impulsionam o pensar social e têm a responsabilidade de reproduzir a pluralidade da sociedade. Temos o compromisso de fazer uma política social enraizada na vida social e econômica da sociedade. O nosso museu é parceiro da sociedade”.

Falando em nome dos artistas desta temporada, Alexandre Frangioni , expressou o orgulho da mostra. “Agradeço à Secretaria e equipe do Marco pelo suporte aos artistas para que pudéssemos expor nosso trabalho. Poder expor para a comunidade com essa estrutura é muito bom. Nos orgulhamos do que foi proposto e apresentado”.

Marco - Frangioni
Falando em nome dos artistas desta temporada, Alexandre Frangioni/ Foto: Sectei
O secretário de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação, Renato Roscoe, reconheceu o esforço da equipe para trazer artistas expressivos. “Temos que nos orgulhar e agradecer aos artistas por aceitar o convite e dividir seu talento conosco. O governador Reinaldo Azambuja está muito entusiasmado com a cultura. Apesar do momento complicado no país, conseguimos manter os recursos que estão possibilitando essas atividades”, declarou.

Mostras

Moedas, por Alexandre Frangioni – o artista busca provocar uma reflexão sobre as possíveis relações entre valores históricos e atuais. Ao produzir as obras com o dinheiro antigo e sem validade, estes objetos passam, então, a valer pelo que não são, pela intensidade da negação de que são capazes.

“A população está esquecendo, perdendo a memória de coisas que aconteceram. O impacto que causava para nós a inflação, as pessoas tinham que correr para o mercado. Depois veio o Plano Real. As gerações que vieram depois não viveram isso. Pretendemos abordar qual a relação que o dinheiro tinha. Depois, com a alta do dólar, essa é uma reflexão atual. É um ciclo”.

Ele conta que seu pai tinha um amigo acumulador e quando este amigo voltou para a Espanha, deixou a casa que alugava disponível. O pai do artista foi fazer a limpeza da casa e encontrou várias cédulas antigas na casa. “Daí surgiu a “Pipa”, montada com estas cédulas antigas.

Alexandre é Engenheiro Químico e desde 2004 trabalha paralelamente com artes. “Eu era bom desenhista quando jovem. Aí pensei: um dia vou me aposentar, o que vou fazer? Procurei então pintar, fazer fotografia. A coisa foi crescendo em mim e hoje 90% do meu trabalho é arte e 10% é na minha antiga profissão”.

Dentro da Mata, por Miguel Penha – Pinturas a óleo com pasta de cera e acrílico sobre lona, retratam o cerrado brasileiro. Nas telas, Miguel retrata a natureza pura, sem interferência do homem. A exposição já passou por 12 capitais, Campo Grande é a 13ª. O objetivo é percorrer as 27.

Miguel é de Cuiabá, da Chapada dos Guimarães e pinta desde 1986. Mas foi a partir de 2008 que se profissionalizou. Ele é índio, seu pai é boliviano da etnia Xiqitano, a mãe é filha de Bororo com português. Vivia pelas matas pesquisando e tirando informações para suas obras em aldeias indígenas e na floresta amazônica.

Foi agraciado em 2009 com o Prêmio Marco Antonio Vilaça. “Andei por muitos lugares, aprendendo sobre plantas, desenhava e pintava, ia para a cidade comercializar, depois voltava novamente às aldeias. Em 2014, o artista foi contemplado com participação no edital do Ministério da Cultura (Minc), estudou em Madri na Academia Dicinti e Villalon, onde aprendeu técnicas de pinturas e materiais e preparação de telas.

Variáveis de bancos de jardim, por Silvia Ruiz – As obras para a exposição estão sendo produzidas há seis anos. São fotografias de bancos e jardins ao longo do mundo. “A vida em São Paulo é uma loucura, as pessoas não têm tempo. Então, acabo trazendo os jardins e os bancos para elas”.

A leitura da obra revela que o banco é o lugar em que foi fotografado, mas a paisagem de fundo é uma invenção da artista. As gravuras foram feitas por sobreposição de madeiras. A instalação foi feita na técnica “lambe-lambe”, em que a artista imprime a figura e cola na parede, o suporte.

Silvia ganhou uma bolsa para estudar gravura e litografia na Espanha, na Fundação Ciec. Ela é formada em Artes Plásticas na Unesp e desde os 13 anos gosta de pintar. Trabalha também como produtora cultural em museus e galerias e dá aulas no Sesc e instituições culturais.

Espaço reservado para possíveis retornos (ou como rasurar o ar), por Élcio Miazaki – Uma instalação montada como exercício para lembrar de outras realizadas no mesmo espaço. Lembra também brincadeiras infantis de outras épocas e aprendizados encontrados em livros e matérias didáticos antigos, cujas páginas eram praticamente em branco com alguns grafismos. Quando traçada e concluída uma sequência de pontos numerados eram formadas figuras antes desconhecidas.

Élcio Miazaki é arquiteto, formado pela USP e designer gráfico. Ele explica que o curador do Museu de Arte de Ribeirão Preto, Nilton Campos, define seu trabalho como a memória de valorização do patrimônio. “Os pontos não são aleatórios, seguem uma demarcação de uma exposição que já aconteceu nesse espaço. São todos os limites da exposição que teve aqui”, conta.

É a terceira vez que esse projeto é montado. “ Já passamos por Ribeirão Preto e Blumenau. Cada vez que é montado fica com um desenho diferente”, diz. Ele começou a trabalhar com instalação o ano passado. Antes, fazia fotografia. “A vida te puxa para o dia-a-dia, temos que pagar as contas. Mas na faculdade fiz estágio em programação visual e decidi que queria fazer artes. Em 2013 meus trabalhos começaram a ganhar espaço”.

Entrada gratuita

Todas as obras estão liberadas para visitação até o dia 30 de outubro, com entrada gratuita. O público pode conferir as exposições de terça a sexta, das 7h30 às 17h30; aos sábados, domingos e feriados o horário de funcionamento é das 14h às 18h.

O Museu fica na rua Antônio Maria Coelho, nº 6000, bairro Caranda Bosque, Campo Grande – MS.

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