Ensaio Geral - Jonir Figueiredo
Entrevista | Da redação | 06/05/2016 15h23

Jonir Figueiredo

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No cenário das artes sul-mato-grossense, um dos que se destaca, é Jonir Figueiredo, 65 anos e com 43 dedicados ao ofício.

Concretizar a percepção da realidade ou imaginação abusando da criatividade pode definir o trabalho dos artistas plásticos, que com sua arte expõem as mais variadas nuances do ser humano e do mundo. No dia 08 de maio se comemora o Dia do Artista Plástico Brasileiro. No cenário das artes sul-mato-grossense um dos que se destaca é Jonir Figueiredo, 65 anos e com 43 dedicados ao ofício.

Nas palavras da professora Maria da Glória Sá Rosa, “Fazer arte para Jonir é uma maneira de apropriar-se dos mistérios do universo, numa experiência estética em que a obra se transforma em objeto de prazer”. Nascido em Corumbá, Jonir desde criança teve tino para artes. Autodidata, nunca frequentou escola de arte, mas é pintor, desenhista, gravador, performancer cultural e arte educador e diz ser a intuição sua principal aliada na composição de suas obras.

Já levou sua arte para Portugal, Alemanha e Nova York, onde expôs na ONU. Teve uma audiência com o presidente da república João Figueiredo nos idos de 1983. Também foi amigo do poeta Manoel de Barros com o qual mantinha estreita relação. Presidiu por três vezes a Associação dos Artistas Plásticos de MS e afirma “a cultura não precisa política, a política que precisa da cultura”, e quanto aos artistas reitera “é preciso atitude, iniciativa, espírito de solidariedade, criatividade.

O artista tem que ser independente para estar nesse novo sistema burocrático”. Comunicativo e sempre atento a tudo e a todos, nos contou um pouco sobre sua história de vida e arte.

Como se deu a sua primeira aparição no mundo das artes sul-mato-grossenses?

Em 1977 foi a primeira apresentação do trabalho, numa exposição coletiva que foi organizada artista plástica Sila Passarelli, sendo indicado pela escritora Sylvia Cesco.

Considera um dom o que faz?

Já nasci com isso, ninguém me ensinou desenhar, misturar cor, sempre usei a minha intuição. Eu imponho uma solidão. Não consigo produzir se estiver alguém olhando. Sou um frequentador assíduo da Biblioteca Isaías Tem. Ano passado eu sumi, eu não saia nem para comer, fico só na produção. Eu trabalho com várias linguagens. Já teve série de eu produzir mais de duzentas obras.

Teve alguma referência para realizar suas obras?

Desde pequeno meu pai comprava livros, enciclopédia, contava histórias, como o de Da Vinci. Eu ficava fascinado, eu pegava os livros de História Geral escondido do meu irmão mais velho, e eu ficava fascinado com os egípcios. Há uns 20 anos em São Paulo eu fiz um estudo sobre reencarnação, e descobri que estou na minha quarta passagem por aqui e numa delas fui egípcio.

Você tem uma predileção por mandalas?

Isso é devido a eu ler muitos livros místicos. Para mim a mandala é o nosso olho, nosso mamilo. Se você for buscar no dicionário, mandala quer dizer círculo e é o símbolo mais antigo de adoração que existe. Surgiu na índia, mas o próprio faraó Akhenaton aboliu todos os deuses que existiam e criou o culto ao círculo solar, sendo que o sol é fonte de vida ou morte.

O artista plástico sobrevive de arte em Mato Grosso do Sul?

Não vive. Ninguém compra arte aqui, é dificílimo. Muito mais papel, gravura, xilogravura. E depois aqui pouca gente entende de arte. E a pintura na definição exata é cor, não precisa forma. Agora, pintura e desenho são duas coisas fundidas.

O que é preciso para a arte ser valorizada?

Que as pessoas tenham conhecimento dela.

Você se sente realizado como artista plástico?

Eu nasci artista. Quando era criança, sempre estudei em colégio salesiano, sempre fui comunicativo, falante. Eu nunca tive aula de desenho, só quando fui fazer desenho técnico no Senai. Nunca gostei de exatas, pode notar que minha arte tem muito movimento, não tem linha reta. Régua e compasso eu odiava. Já fui funcionário da prefeitura por mais de oito anos. Trabalhei em escola, na fundação de cultura, mas não gosto da mesmice. Eu sou do movimento, regido pelo ar duas vezes, pelo meu signo Libra e meu ascendente gêmeos. Não só falante, mas de atitude, não sei ficar parado, acomodado. Eu nunca quis ser só artista, fiz mais de 50 cursos, fiz administração em marketing nas artes em difusão cultural pela USP, História Universal das Artes pela UCDB, também fiz cursos na UFMS, fiz seis anos de dança. Sempre fui multi e acho que todos nós somos capazes de fazer qualquer coisa.

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