Ensaio Geral - Jads e Jadson
Entrevista | Da redação | 27/07/2017 10h52

Jads e Jadson

Compartilhe:

“Somos uma dupla de sertanejo tradicional. Não somos de fazer o que está na moda. Nosso som é voltado à viola caipira”

É grande a expectativa para o show deles nesta quinta-feira (27.7), às 21h, na praça da Liberdade, no primeiro dia da 18ª edição do Festival de Inverno de Bonito (FIB). “Pela primeira vez na história haverá um artista sertanejo em um festival que só apresentou artistas pop, MPB, entre outros”, comemora Jads. Em relação ao estilo da dupla, Jadson ressalta: “Somos uma dupla de sertanejo tradicional. Não somos de fazer o que está na moda. Nosso som é voltado à viola caipira, que é nossa referência musical.”

Da fronteira com o Paraguai para as rádios de todo o Brasil. O percurso que levou a dupla Jads e Jadson de Ponta Porã, na região fronteiriça de Mato Grosso do Sul, ao sucesso nacional não foi fácil de se percorrer, mas a recompensa tem sido vivida diariamente.

Um pouco como os “Filhos de Francisco”, Jads e Jadson também ingressaram na música em razão dos caprichos paternos. “Nosso pai queria seguir carreira musical, mas como não conseguiu, ele nos colocou para realizar esse sonho”, costumam afirmar em entrevistas. Algumas décadas depois, a dupla se tornou um dos grandes nomes do sertanejo nacional com a agenda lotada e milhares de fãs pelo país.

Em agosto, a dupla grava o quarto DVD da carreira em show que será registrado no interior de São Paulo. Eles também acabam de lançar o single “Na Riqueza e Na Pobreza”. Em menos de um mês, a canção já contabiliza mais de 2,4 milhões de visualizações no YouTube. O vocal grave, as letras românticas e a viola marcante fazem parte do estilo da dupla, que foge de epítetos como “sertanejo universitário” e outros sons da moda. “É um som diferente, mais bruto”, definem.

Jads e Jadson farão uma participação no show de Dino Rocha, que toca antes deles no mesmo palco da praça da Liberdade. Acompanhado de uma super banda, Dino fará as gravações para o seu DVD. “O Dino Rocha é um dos músicos mais respeitados do Brasil e o melhor do Mato Grosso do Sul. Sempre que dá estamos junto com ele em eventos particulares na nossa casa”, revela Jadson.

Confira abaixo o bate papo com a dupla:

FIB – A notícia que vocês participariam do festival foi recebida com surpresa, inclusive com críticas. Como avaliam a repercussão da dupla no FIB?

JADS – Ficamos muito felizes pelo convite, pois é um festival referência no Estado e no Brasil. Sempre tivemos vontade de fazer parte dessa grade seleta de artistas. Não recebemos apenas críticas negativas. Estas vieram em minoria e fazem parte. Descrevemos como “crítica natural” pois, pela primeira vez na história, haverá um artista sertanejo em um festival que só apresentou artistas pop, MPB, entre outros. Nós respeitamos e somos fãs de vários que passaram por lá, como Zé Ramalho. Escutamos o som deles em momentos de lazer ou em nosso camarim. Hoje posso dizer que estamos muito contentes em fazer parte dessa galera graças ao Festival de Inverno de Bonito.

FIB – Apesar de uma carreira calcada no sertanejo, tendo tocado ao lado de grandes nomes da música de raiz, há quem relacione a dupla Jads e Jadson ao sertanejo universitário. Como vocês definem o som que fazem?

JADSON – Somos uma dupla de sertanejo tradicional. Não somos de fazer o que está na moda. Por isso, demoramos mais para sermos reconhecidos fora do Estado. Nosso som é voltado à viola caipira, que é nossa referência musical. Estamos na estrada profissionalmente desde 2003 e ficamos conhecidos no país há uns quatro anos, bem na época auge do sertanejo universitário, onde surgiu grandes nomes do cenário atual. Mas já tocamos Cristian e Ralf, Milionário e José Rico, Leonardo, Daniel.

FIB – Vocês nasceram no Paraná e foram morar em Ponta Porã (MS), onde existe uma confluência muito grande de ritmos e estilos tradicionais. Qual o impacto que a fronteira e a vida em Mato Grosso do Sul teve sobre vocês?

JADS – Fomos criados em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Nos consideramos filhos dessa terra, participamos de vários festivais em nossa infância. Nosso pai era do Sindicato Rural da cidade e vivenciamos os shows dos mestres Tião Carreiro e Pardinho, do Teodoro e Sampaio, César e Paulinho, Zé Rico, João Mineiro e Marciano e vários tantos que se apresentavam por lá na Expo do Sindicato. Vivemos e fomos criados nesse reduto e isso influenciou muito em nossa carreira.

FIB – Este ano vocês já emplacaram dois hits, que ficaram entre as mais tocadas do país. Como foi construir uma carreira tão consistente em meio a um dos ritmos mais populares do Brasil?

JADS – Graças a Deus conseguimos emplacar algumas canções nos últimos anos. É um sertanejo, digamos, que é diferente e mais difícil de emplacar. Esse som mais bruto conseguiu espaço em todo o Brasil e isso nos deixa muito felizes. Músicas como “Ressentimento”, “Toca Um João Mineiro e Marciano”, “Noite Fracassada”, “Zé Trovão” e mais algumas aí (risos).

FIB – O que vocês podem falar sobre o Dino Rocha, que é um dos nomes importantes da música fronteiriça brasileira e que toca antes de vocês na Praça da Liberdade em Bonito?

JADSON – É incrível ter a abertura do nosso show com o Dino Rocha, ainda mais que ele estará registrando esse momento da carreira dele em DVD, para o qual tivemos a honra de ser convidados. Vamos participar em uma canção, mas é surpresa. Para nós, o Dino é um dos mais respeitados músicos do Brasil e o melhor do Mato Grosso do Sul. Isso é um olhar sul-mato-grossense. Sempre que dá estamos junto com ele em eventos particulares na nossa casa.

VEJA MAIS
Compartilhe:

PARCEIROS