Ensaio Geral - Antônio Porto apresenta trabalho “Meio ave, meio vento”
Entrevista | Da redação | 05/04/2018 08h58

Antônio Porto apresenta trabalho “Meio ave, meio vento”

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Multi-instrumentista Antônio Porto retorna de São Paulo à Capital para mais uma nova temporada.

O multi-instrumentista Antônio Porto retorna de São Paulo à Capital para mais uma nova temporada com o intuito de mostrar as diversas faces do seu jeito de fazer música. Na próxima sexta-feira (6 de abril), ele apresenta ao público campo-grandense o seu mais novo trabalho intitulado “Meio ave, meio vento” no espaço cultural da escola de música Centro de Arte Viva, que fica na rua Cândido Mariano, nº 2112, no centro.

Uma de suas canções, a Cordel Chinês, feita em parceria com o compositor Alexandre Lemos, o consagrou em primeiro colocado no Festival de Avaré (FAMPOP), em 2016. “Me apresentei há dois anos atrás no Centro de Arte Viva, para uma platéia repleta de pessoas que sempre apoiaram meu trabalho, numa performance que mesclava músicas minhas já gravadas e algumas releituras de compositores da Música Brasileira. Dessa vez farei um show no qual irei apresentar as canções de uma experiência que há muito tempo eu vislumbrava e que muitos amigos, músicos principalmente, com frequência me incentivavam. É um CD de canções arranjadas e executadas apenas com voz e violão, usando pouquíssimos recursos tecnológicos só para dar um colorido diferente e inserido mais nesse conceito “apelidado” de Unplugged. Vou apresentá-las nesse formato para o público – muitas ainda preservo de forma praticamente inédita – e é claro que escolhi minha cidade para fazer isso já que aqui eu considero uma espécie de “termômetro” para a minha música, explicou o músico.

Toninho Porto, como é mais conhecido aqui na Capital, conversou rapidamente com a gente discorrendo sobre seu trabalho e outros aspectos da cultura.

Acompanhe:

SECC – Por que você considera o público campo-grandense como termômetro para a apresentação da sua obra?
Antônio Porto – Porque aqui é onde eu me sinto mais à vontade para tocar. Então eu posso apresentá-la na essência, sem me preocupar com conceitos. Se o público de Campo Grande gosta, é porque a essência dela está boa. Isso pra mim é fundamental.

SECC – Quais são as temáticas que você trabalha neste novo álbum, além da releirura de antigos sucessos?
Antônio Porto – Nesse novo trabalho eu faço exclusivamente minhas composições. Eventualmente ao vivo posso fazer alguma releitura. Mas, o conteúdo dele, são minhas músicas. Não há um tema específico. São composições que fiz nos últimos 3 anos. Os temas são muito variados. Até mesmo porque o que as pessoas mais gostam em mim é a variedade do que eu posso apresentar. O que a minha experiência musical no decorrer da vida me trouxe, foi exatamente adquirir essa facilidade de adaptação nas mais diversas vertentes musicais e temáticas.

SECC – O que é fazer música independente hoje no Brasil?
Antônio Porto – A música independente é uma eterna guerreira, seja onde for. No Brasil tem um agravante : é uma sociedade extrema e até inconsequentemente consumista, além de submissa e escrava dos grandes meios de comunicação e mal acostumada à corrupção moral. Por isso, fazer arte e ser produtor de arte, auto sustentável no Brasil, é mesmo por muito amor à ela. Mas isso é uma questão de tempo. Em comparação ao que chamamos de primeiro mundo, somos embriões em termos de sociedade. Mas, segundo a mitologia grega, tudo tem princípio no caos. Ou seja, estamos no caminho.

SECC – Diante deste caos cultural, qual é o caminho que você vislumbra para os artistas? Os formadores de opinião não estão intimidados ultimamente?
Antônio Porto - Eu acho que o mundo online não tem mais volta e é por ele o caminho. Acho também que a hipervalorização financeira da indústria capitalista em função de um retorno muitas vezes quadruplicado com relação ao investimento, chegou no seu limite máximo. Ficam procurando emplacar modismos a qualquer custo pois eles mesmo sabem que a bolha está para explodir. A internet está viabilizando um acesso muito rápido a qualquer tipo de trabalho artístico e também às formações de opinião. Mas mesmo assim, precisa-se de muita dedicação para alcançar certos objetivos através dela. Dedicação e também muita paciência, pois as reações com relação ao que você apresenta ou representa, nem sempre são boas. As críticas também são imediatas e qualquer um tem acesso às suas propostas e perspectivas. Eu vislumbro mais lucidez por parte das pessoas na hora de distinguir as coisas. Um desprendimento do escravagista midiático e o discernimento de que cada um tem que fazer a sua parte.

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