Ensaio Geral - Plano de Políticas Culturais para fronteiras do Mato Grosso do Sul é debatido em Ponta Porã
Debate | Da redação | 28/03/2016 13h48

Plano de Políticas Culturais para fronteiras do Mato Grosso do Sul é debatido em Ponta Porã

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A rica diversidade cultural existente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero (Paraguai), que integram brasileiros e paraguaios foi tema de debate nesta terça-feira (22) no Auditório da Prefeitura de Ponta Porã. A reunião aberta ao público contou com a presença de artistas, professores universitários, gestores, produtores e entusiastas da arte e cultura que debateram políticas culturais específicas para regiões de fronteira, através do tema: Diálogos da Fronteira, abordado pelo consultor Unesco/MinC Ricardo Almeida.

A secretária adjunta da Secretaria de Cultura, Turismo, Empreendedorismo e Inovação (Sectei), Andréa Freire esteve presente e valorizou o encontro lembrando a importância da valorização da cultura para a consolidação de novos projetos na região. “O debate ampliado dos costumes e tradições existentes na região de fronteira, é fundamental para elaboração de projetos que consolidem a arte e a cultura dos municípios vizinhos, é de extrema importância para as regiões fronteiriças e até mesmo para nosso Estado”, afirmou Andréa.

O Consultor da Unesco, Ricardo Almeida contou sobre a experiência obtida junto a ações sócio-culturais que integram brasileiros e uruguaios na fronteira seca entre Santana do Livramento, Rio Grande do Sul e Rivera, no Uruguai. “Houve uma ampla mobilização entre esferas públicas dos dois países e do segmento civil na busca de impulsionar a integração entre os dois países, a partir de políticas públicas que possam atender a região de fronteira” explicou Ricardo.

Ele afirma que existem vários desafios para consolidar as políticas culturais na região de fronteira. “O Brasil faz fronteira com nove países, do norte ao sul. Estamos percorrendo todos os limites, entendendo seus costumes e tradições que formam essa diversidade cultural, objetivando valorizar suas características”, disse Ricardo, ressaltando que esteve em Corumbá onde conheceu inúmeras iniciativas em favor da manutenção dos costumes comuns a brasileiros e bolivianos.

Ricardo Almeida destacou o dialogo de integração existente na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, envolvendo as autoridades dos dois países vizinhos em favor de eventos culturais que buscam o desenvolvimento econômico da fronteira. “Achei interessante a busca dos dois municípios em buscar alternativas através do turismo de eventos, como forma de não depender apenas do comércio de importados. Estamos conhecendo o dia-a-dia das duas comunidades, sua história, sua gente, seus costumes para que possamos elaborar juntos uma política publica de cultura especifica para regiões de fronteira, em meio a um amplo debate com todos os atores envolvidos” frisou Ricardo. Segundo ele quatro conceitos norteiam Diálogos da Fronteira: Comarca Cultural e Transculturação; sentimento de pertencimento; regional-global e complexidade.

A presidente da FUNDAC, Gisele Flor disse que “Diálogos da Fronteira” é fundamental para nortear as políticas culturais voltadas para região de fronteira. “Há tempos brasileiros e paraguaios buscam essa integração, visando a consolidação da arte e cultura enquanto economia criativa e formadora de nossa identidade”.

O jornalista e Professor de História, Nivalcir Almeida, enfatizou que a formulação de políticas culturais pode contribuir para o reconhecimento da identidade cultural da fronteira, por parte das esferas públicas estaduais e federais. “O debate para valorização e reconhecimento da riqueza cultural existente na fronteira Brasil e Paraguai, vem sendo abordado constantemente. Diálogos da Fronteira é oportuno para organizar e definir estes anseios de forma planejada, para sua consolidação de fato” disse.

Na oportunidade Ricardo Almeida apresentou um questionário para o público presente, que estará norteando ações e projetos em favor do desenvolvimento das políticas culturais da fronteira. Uma comissão binacional formada por representantes dos mais diversos segmentos do poder público e civil dos dois municípios vão se reunir para debater de forma conjunta temas comuns, que ajudarão a construir a política pública cultural que atenda as cidades irmãs.

Fronteiras

A fronteira terrestre representa cerca de 68% de toda extensão dos limites territoriais brasileiros. Colocando o Brasil em contato com dez outras nações sul-americanas. Com exceção Chile e do Equador, todos os países da América do Sul fazem fronteira com o Brasil: Ao norte: Suriname, Guiana, Venezuela e um território pertencente à França, a Guiana Francesa. A noroeste: Colômbia. A oeste: Peru e Bolívia. A sudoeste: Paraguai e Argentina. Ao sul: Uruguai.

Os mais de 15.000 km de fronteiras continentais abrangem terras de três grandes regiões brasileiras, sendo a maior delas a Região Norte que corresponde a cerca de dois terços de toda essa extensão. Os estados que mais se destacam são o Amazonas e o Acre.

A segunda região em destaque é a Região Sul, com uma extensão fronteiriça de quase 2.500 km no continente, tendo como estado que mais se destaca o Rio Grande do Sul. A terceira é a Região Centro-Oeste, sendo o estado de maior extensão fronteiriça o Mato Grosso do Sul.

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