Artes | Da redação | 22/06/2016 06h37

Grupos artísticos de Dourados organizam evento sobre história e cultura indígenas

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Entre os dias 22 e 25 de junho, acontece em Dourados a mostra “Tape Kurusu – cruzamentos entre a cultura indígena e as artes da cena”, que reúne os espetáculos “Mborahéi Rapére – Pelas trilhas do Canto”, do Grupo Veraju, e “Ara Pyahu – des/caminhos do contar-se”, do Grupo Mandi’o. Os ingressos têm o valor de R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (antecipado).

Além dos espetáculos, a mostra contará com a oficina “Práticas Corporais e Vocais do Processo Criativo Ara Pyahu” e com a roda de conversa “Processos Criativos da Aldeia ao Palco”, além das exposições “Deslocamentos” e “Culturas Indígenas”. O evento acontecerá no Teatro Municipal de Dourados e no Casulo – Espaço de Cultura e Arte (Rua Reinaldo Bianchi, 398, Parque Alvorada).

Os ingressos antecipados para os dias 22 e 23 de junho encontram-se disponíveis na Pró-Reitoria de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPP) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), localizada na Rua João Rosa Góes, 1761, Vila Progresso. A apresentação do dia 25 terá entrada gratuita e a participação nas oficinas poderá ser garantida com a doação de 1kg de alimento não perecível.

Mborahéi Rapére – Pelas trilhas do canto
O espetáculo “Mborahéi Rapére – Pelas trilhas do canto” é uma releitura de cantos indígenas, em especial os dos Guarani e Kaiowá, explorando suas diversas possibilidades harmônicas, rítmicas, melódicas e cosmológicas, razão pela qual o trabalho cênico-musical se desenvolve também com base em mitos e danças indígenas, considerados tradicionais pelas comunidades. A percepção Guarani e Kaiowá da realidade está presente do começo ao fim do espetáculo e introduz o público nos caminhos da palavra-cantada, nos seus símbolos e significados, nas reinvindicações que elas exprimem, na beleza. Além de cantos Guarani e Kaiowá, o repertório inclui cantos dos grupos étnicos Mbyá, Huni Kuin, Shipibo e Krahô.

O projeto surgiu a partir do interesse de artistas, docentes e estudantes em se aproximar da arte indígena local. O encontro e a partilha entre estas pessoas e as comunidades indígenas de Dourados e Douradina resultou em uma criação colaborativa que realiza um diálogo entre a matriz cultural indígena e as linguagens do circo, do teatro e da performance. O grupo contou com a orientação das mestras tradicionais das comunidades indígenas: Floriza Sousa da Silva, da aldeia Jaguapiru; Tereza Martins, da aldeia Bororó; Nona Merenciana, do Itay; Adelina Ramona e Neusa Concianza, do Guyra Kambiy; além da orientação da professora Graciela Chamorro, da etnomusicóloga Magda Pucci (Grupo Mawaca/SP) e da artista Arami Marschner. O espetáculo conta, ainda, com a participação especial do grupo de canto Ñemongo’i, da comunidade Kaiowa de Itay (Douradina/MS), coordenado por Ifigeninha Hirto.

Ará Pyahu, des/caminhos do contar-se.
O grupo de dança-teatro Mandi´o, dirigido pela artista Carla Ávila, nasce do emaranhado de linguagens entre as artes da cena, o canto e a palavra, o palco e o chão de terra. Mandi´o quer dizer, em guarani, Mandioca, tubérculo que nasce profundo na terra, nos subsolos do Mato Grosso do Sul, desenvolve-se e se desdobra dentro do subterrâneo, para brotar verticalmente, anunciando-se.

Cultivada por indígenas há milênios, esta raiz inspirou o nome do grupo pela necessidade que seus integrantes sentem de estar e imergir/emergir na e da terra, conhecer as culturas regionais e suas expressões, e refratar suas texturas em cena. É nesta proposta que o espetáculo de dança-teatro “Ara Pyahu, Des/caminhos do contar-se“ consolidou-se, tendo a vivência a campo, entre Indígenas Kaiowá e Guarani como principal caminho condutor. O espetáculo transpassa tempos míticos, históricos e midiáticos contando as histórias e caminhadas deste povo através de diversas narrativas expressadas significativamente pela dança. Neste processo artesanal, os artistas/bailarinos do grupo Mandi´o atuam como fiandeiros de contares, transformando palavras, sons e imagens em fios de dança, dramaturgia e cena, tecituras simbólicas trançadas em espetáculo.

Exposições e Oficinas
A exposição “Deslocamentos”, que vai acontecer no hall no Teatro Municipal, é uma promoção do grupo Mandi’o que apresenta objetos estéticos/artísticos, ilustrando algumas vertentes do processo de criação que deu corpo ao espetáculo “Ara Pyahu, Des/caminhos do contar-se”. O grupo ministrará também, no espaço cultural Casulo, uma oficina sobre as práticas corporais e vocais que foram se constituindo no trabalho cênico, frutos das danças e dos cantos indígenas em composição com os conhecimentos e técnicas corporais do grupo. Tais ações fazem parte, junto com o espetáculo, do projeto de circulação prestigiado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2014.

Já a roda de conversa “Tape Kurusu”, que será realizada no espaço cultural Casulo, irá abordar os processos criativos que relacionam práticas musicais e cênicas da cultura indígena e não indígena, envolvendo mestras indígenas e artistas do grupo Mandi’o e do grupo Veraju. A exposição “Culturas Indígenas”, coordenada pela professora da UFGD e coordenadora da mostra Graciela Chamorro, também irá acontecer no hall do Teatro Municipal.

Serviço:
Dias 22/06 e 23/06 – Teatro Municipal
20h – Espetáculo: Mborahéi Rapére (Coletivo Veraju)
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (antecipado)

Dia 24/06 – Casulo
9h - 12h – Oficina: “Práticas corporais e vocais do processo criativo Ára Pyahu” (Grupo Mandi’o)
14h - 16h – Roda de Conversa: “Processos criativos, da aldeia ao palco”
Moderadora: Graciela Chamorro
Monitoras: Arami Marschner, Carla Ávila, Daniela João e Floriza Souza da Silva
Contribuição espontânea: 1 Kg de alimento não perecível

Dia 25/06 – Teatro Municipal
20h - Espetáculo: “Ára Pyahu: des/caminhos do contar-se” (Grupo Mandi´o)
Entrada Franca (Espetáculo realizado com apoio do Prêmio Funarte Klauss Vianna de Dança)

O evento tem apoio da UFGD (Pró-Reitoria de Extensão de Cultura, Faculdade de Ciências Humanas e Faculdade de Comunicação, Artes e Letras), Secretaria Municipal de Cultura, Casa dos Ventos e Casulo – Espaço de Cultura e Arte.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail chamorro_graciela@hotmail.com ou pela página do evento: https://www.facebook.com/events/255634521463537/.

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