Artes | Da Redação/Com Diário Online | 06/06/2013 13h03

“Flores no Caminho” quer fazer da cidade um grande campo para expor a arte

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As telas e as camisetas se tornaram muito pouco para o espírito criativo do artista plástico Victor Hugo Cure, de 24 anos de idade, que passou a colorir muros e estruturas de espaços públicos de Corumbá num projeto intitulado "Flores no Caminho".

"A minha ideia foi começar a colorir vários pontos diferentes da cidade com temáticas para chamar a atenção da população para a questão da arte e, de uma forma meio inconsciente, os artistas estão começando a pintar os muros da cidade como o Hélker, o Rudy. Assim, ele está ganhando uma nova característica com uma arte mais contemporânea e contemplativa", contou ao explicar que busca diferenciar o estilo daquilo que imprime nesses espaços que acabam sendo vistos por tanta gente.

"Flores no Caminho tenta em lugares diferentes da cidade colocar inspiração para os moradores tomarem mais contato com as artes plásticas porque ela aqui ainda está se desenvolvendo nesse lado contemporâneo, saindo um pouco da paisagem e indo para uma arte mais contemporânea, mais maleável", comenta ao falar dos três primeiros trabalhos do projeto.

Convidado pelo Moinho Cultural Sul-Americano, o artista foi o responsável por dar vida a um grande paredão das instalações da escola de artes. A temática escolhida por ele foi a música, uma das vertentes artísticas desenvolvidas pelas atividades do Moinho junto a crianças e adolescentes da região.

"O Moinho selecionou um artista plástico para fazer uma homenagem ao trabalho da escola de artes que lá funciona. Eu tentei trabalhar tanto a harmonia da música e a sensibilidade que ela traz. Utilizei como recursos uma imagem de uma aluna do Moinho, que toca violino, e a desenvolvi ao mostrar a questão palpável e da sensibilidade da música, junto a algumas partes regionais, com as quais também busquei focar no rio Paraguai, algumas ondas que se entrelaçam com as notas musicais", disse ao detalhar a obra com a qual aproveitou para definir seu estilo.

"Eu não tenho um estilo pré-definido porque gosto de trabalhar com novas vertentes. Contemporâneo talvez abrangeria bem, mas eu trabalho muito com o lado pedagógico da pintura e do lado didático, que tenha uma função, que ela não simplesmente esteja no local para ser bonita ou servir de paisagem, como, por exemplo, essa do Moinho onde são usados os bancos, o chão e a parede é uma ideia para que os professores, os alunos se sintam dentro da obra e a partir disso descobrir novos traços que foram deixados nessas pinturas, então acho que seria um contemporâneo pedagógico ou didático", explicou.

Outro trabalho de Vitor Cure foi feito também através de convite, mas desta vez, numa área aberta. A pista de skate próxima ao Ginásio Poliesportivo teve a intervenção do artista plástico que optou por retratar uma cena bastante comum do povo corumbaense."É um trabalho bem urbano inspirado no Gosko, ele remete ao calor de Corumbá. Como cada trabalho tem uma temática diferente nos locais, naquele quis expor essa coisa do calor intenso mesmo, pois o trabalho mostra uma mulher com um picolé e ele derretendo e o rosto dela todo em tons avermelhados", diz Vitor ao afirmar que ficou bastante contente com o convite dos skatistas.

Já na rua XV de Novembro, a inspiração para imprimir a arte no muro de uma residência foi bastante lírica. Mesclando várias cores, a leveza da vida no sopro de um ancião chama a atenção de quem passa pelo local.

"É um trabalho que busca mostrar de onde vem a inspiração. É a imagem de um velho soprando flores e pássaros com pétalas de rosas saindo do soprar, então tem um significado sobre a criação, de onde vem a inspiração", comentou o jovem artista que se atentou para uma característica que começa a ser atribuída a esta rua da cidade.

"Ali inconscientemente, está virando a XV da Arte porque tem um trabalho na esquina com a rua Cabral, que é o do Jamil Canavarros, artista que todo ano renova o muro com uma temática nova; tem um trabalho do Joel Viana, um pouco mais abaixo no muro da Sanesul; e tem, agora, esse trabalho que concluí e mais um abaixo tinha um de um grafiteiro novo, que é o Rudy, aluno do Hélker. Isso é muito interessante porque foi inconsciente e acaba tomando uma forma sozinho", explica ao deixar seus contatos para as pessoas que queiram fazer dos muros de suas residências um suporte para a arte: (67) 9695-4658 e e-mail vitor.hugo.cure@gmail.com.

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