Artes Plásticas | O Estado MS | 03/02/2016 14h25

Artista plástico regional explora botânica enquanto arte

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Árvores, vitrais, cores, vazios. A obra de Carlo Batistella especula ao redor dos contrastes para expor composições visuais exuberantes. Em torno de uma instigante conjunção, o artista sul-mato-grossense funde o concreto e selvagem em busca de estampar na tela um confronto espacial cujas sobreposições de planos podem ser definidas como um abstratismo selvático.

Em cartaz no Sesc Morada dos Baís, a exposição “Vazios Emparedados” é uma oportunidade de ver de perto o trabalho de Batistella. A mostra permanece aberta ao público até 27 de fevereiro e traz um conjunto de obras que dão forma a paisagens fictícias. Nelas, o espectador poderá fazer uma viagem escópica por meio de superposições de formas que se transformam em um cenário que retrata uma invasão, onde o concreto luta por dominar a natureza.

“Das florestas às pirâmides, sempre pintei cenários que reinterpretam realidades. As ‘árvores-vitrais’, assim como os aglomerados de pirâmides que remetem a cadeias montanhosas, são na verdade uma forma de analisar a maneira como o homem contemporâneo lida com o espaço 0202decoração2físico. Nas minhas telas, sempre trabalho com um pouco de realismo, surrealismo, grafismo e geometria”, diz Batistella.

Dentro de “Vazios Emparedados”, portanto, é possível acompanhar um gesto imagético onde as composições visuais do artista são resultado de uma lógica botânica intrínseca a sua arte. Esse ímpeto, explica ele, é a “intenção é criar imagens de grande impacto visual e que ao mesmo tempo proporcionem uma viagem a novos lugares”.

Todas as pinturas são feitas em óleo sobre tela e são trabalhadas com total liberdade de técnica. No total são 20 telas e 7 desenhos expostos. O grande foco da mostra está nas famosas “Pirâmides”, figuras de estrutura piramidal das mais variadas formas utilizadas pelo artista para criar uma natureza extremamente instigante.

Natural de Paranaíba –a 522 km de Campo Grande–, Carlo Batistelli é artista plástico autodidata. Ele passou a se interessar pelas artes visuais ainda criança, quando já se destacava pelo talento em desenhar e colorir. Sua curiosidade o fez entrar nesse mundo fantástico onde acabou conhecendo um pouco da história, das escolas, dos movimentos e dos grandes nomes da arte. Aos 12 anos, incentivado pelos pais, comprou suas primeiras telas e passou a fazer experiências com tinta a óleo, hoje a principal técnica que utiliza.

Uma segunda paixão, a botânica, o fez ingressar, em 1995, no curso de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa (MG), com o intuito de construir uma carreira de paisagista. Em Goiânia, passou a fazer seus primeiros jardins e a participar de mostras e eventos e ser reconhecido e premiado pelo seu trabalho, porém nunca deixou de pintar, mesmo que esporadicamente. Em 2012, incentivado por familiares e amigos, voltou a se dedicar com empenho à pintura.

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