Ensaio Geral - Festas caipiras proporcionaram interação em presídios do MS
Arraial | Da redação | 05/07/2017 09h52

Festas caipiras proporcionaram interação em presídios do MS

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As tradicionais festas juninas aconteceram em unidades prisionais de Mato Grosso do Sul durante todo o mês de junho. Realizada por meio de parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Secretaria de Estado de Educação (SED), a comemoração anual faz parte do calendário escolar dos internos.

Os festejos são organizados pelas direções dos presídios em conjunto com a Escola Estadual Polo Professora Regina Anffe Nunes Betine, responsável pelo ensino prisional no Estado. O objetivo é contribuir com a reintegração social, além de proporcionar a confraternização entre os reeducandos, professores e servidores, garantindo momentos de descontração e mais harmonia ao ambiente prisional.

De acordo com o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, o principal foco é transmitir a valorização aos detentos, para que se sintam inseridos na vida que acontece fora dos muros da unidade penal, sendo a educação uma das principais ferramentas para isso.

Com os estabelecimentos prisionais enfeitados por bandeirolas e com músicas típicas, durante os festejos são apresentadas poesias e danças tradicionais, como a quadrilha, a apresentação country e o casamento caipira. Além disso, barracas educativas com jogos de conhecimento e entrega de brindes como recompensas também foram organizadas e comidas típicas foram servidas, como bolo de milho, canjica, “chatão” (chá de gengibre, dando referência ao famoso quentão), cachorro-quente, pipoca entre outros.

Segundo a diretora da Escola Polo “Regina Betine”, Cacilda Inácio da Silva, as festas juninas acontecem em todos os estabelecimentos penais que possuem extensão escolar. “A ideia central é trazer para dentro dos presídios, os tradicionais festejos presentes no calendário cultural de todo o Brasil, isso os motivam e auxiliam na ressocialização”, enfatiza a diretora.

Em Campo Grande, as festividades aconteceram em quatro estabelecimentos penais, entre eles o Centro de Triagem (CT), o Instituto Penal de Campo Grande (IPCG), o presídio feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ) e o Estabelecimento Penal “Jair Ferreira de Carvalho” (EPJFC).

A Penitenciária Estadual de Dourados, presídio com um dos maiores números de reeducandos em sala de aula, também garantiu a realização da tradicional festa junina, com direito a muita comida típica e decoração, tudo preparado pelos próprios custodiados, após pesquisas sobre os costumes caipiras.

A coordenadora pedagógica da escola, Carolina Castro, destaca que o projeto das festas juninas começa no início do ano letivo, onde cada professor desenvolve uma área de conhecimento. “O de História trata da cultura dessas festividades, o de Artes cuida dos enfeites, o de Educação Física ensaia as danças; então existe toda uma metodologia de ensino por trás da organização dessa festa dentro dos presídios”, afirma.

“Eu acho essa festa maravilhosa, porque é um momento de diversão, de rir bastante e de descontração; participei de duas danças tradicionais e ajudei na decoração das barracas também”, afirmou a reeducanda Renata da Costa Guedes de 33 anos, que está presa há 19 meses no presídio feminino da Capital.

Para a professora de Artes, Simone Regina de Godoy, que leciona há sete anos em estabelecimentos prisionais, essa época do ano é um momento que os internos anseiam com a chegada. “É um marco positivo que os reeducandos levam do tempo que passaram dentro da prisão”, declara a professora.

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