Ensaio Geral - Forte Junqueira e Base Naval são declarados PCB
Antiguidades | da redação/com Diário Online | 16/09/2014 16h55

Forte Junqueira e Base Naval são declarados PCB

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O Forte Junqueira, em Corumbá, e a Base Naval de Ladário foram tombados como Patrimônios Culturais Brasileiros pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os tombamentos foram aprovados na quinta-feira, 11 de setembro, durante a 76° reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.


De acordo com avaliação do Conselho Consultivo, embora “não se destaquem por sua arquitetura”, o Forte Junqueira e a Base de Ladário – que conta ainda com um acervo de 15 peças de artilharia – “têm importância histórica por constituírem testemunhos do processo que envolveu a Guerra do Paraguai”.


Para aprovar o tombamento, O IPHAN levou em consideração que mesmo construídas em locais diferentes, as duas edificações do século XIX “tinham a função de manter bases militares na fronteira com o Paraguai e impedir novos ataques, além de garantir o território brasileiro frente à requisição pela Argentina de território paraguaio junto ao atual Mato Grosso do Sul”.


Também foram aprovados, na mesma reunião, o tombamento de outras quatro fortificações construídas entre os séculos XVII e XX, que estão localizados nas cidades de Óbidos (PA), Rosário (MA) e Bonfim (RR), além de uma série de canhões associados a elas.


As fortificações de MS


O Forte Junqueira foi construído de pedra rejuntada e argamassada sobre escarpada formação calcária (rochosa), dominando longo estirão do rio Paraguai. Seu traçado é um polígono de oito lados em que dois ângulos externos são reentrantes, assemelhando-se a um quadrado ligado ao lado maior de um retângulo. Está localizado na parte oriental da cidade de Corumbá, na margem direita do rio Paraguai, em terreno do 17º Batalhão de Fronteira, Organização Militar responsável pela sua conservação.


Em 1871, terminada a Guerra da Tríplice Aliança, foi criada a Comissão de Engenheiros Militares do Mato Grosso com o objetivo de efetuar a reorganização defensiva da região e de suas fronteiras. Com relação a Corumbá, para melhor defender o núcleo urbano, a Comissão decidiu executar um plano de defesa definitivo formado por uma rede de fortificações posicionadas desde a embocadura do Canal do Tamengo, próximo da divisa com a Bolívia, até as proximidades de Ladário.


Cinco fortes foram construídos: Limoeiro, Junqueira (Ex-Forte da Pólvora), Conde d’Eu, Duque de Caxias e Major Gama. Atualmente, em Corumbá, só existe o Forte Junqueira, denominação em reverência ao então Ministro da Guerra, Dr. João José de Oliveira Junqueira que o mandara construir. O projeto desta fortificação foi do então Major Júlio Anacleto Falcão da Frota.


Projetada como Arsenal da Marinha, a Base de Ladário foi criada por razões estratégicas decorrentes da guerra contra o Paraguai por determinação do Aviso Ministerial de 07 de janeiro de 1873, que ordenou o início das obras. Localizado as margens do rio Paraguai, contou inicialmente com pessoal e material provenientes do extinto Arsenal de Marinha da Província de Mato Grosso, instalado em Cuiabá desde 1827, e do Arsenal de Reparações da Ilha do Cerrinto.


Depois da invasão de Corumbá, por ocasião da Guerra do Paraguai, ficou patente que a zona de atrição do Baixo Paraguai não podia ser defendida pelo Arsenal de Marinha da Província de Mato Grosso em Cuiabá, em face da difícil navegabilidade do rio Leverger e da obsolescência de suas instalações. Em 1862, o ministro da Marinha, Joaquim Raimundo de Lamare, determinou a instalação de um novo Arsenal à jusante do canal do Tamengo e, em 14 de março de 1873, o capitão-de-fragata Manoel Ricardo da Cunha Couto lançou a pedra fundamental do Arsenal de Marinha do Ladário, tendo concluído sua instalação no final de 1874. Pelo Decreto n.º 38.101, de 18 de outubro de 1955, passou a denominar-se Base Fluvial de Ladário, extinguindo também, o Arsenal de Marinha de Ladário.


Conselho Consultivo


O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do IPHAN. Com informações do 17º Batalhão de Fronteira e Marinha do Brasil.

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