Ensaio Geral - Centro Cultural José Octávio completa 30 anos de criação
Aniversário | Da redação/com Assessoria | 10/10/2014 17h11

Centro Cultural José Octávio completa 30 anos de criação

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Campo Grande (MS) - O Centro Cultural José Octávio Guizzo, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul completa neste mês de outubro 30 anos de criação reafirmando sua vocação de receber e promover o acesso à cultura em suas múltiplas manifestações.

Ao longo dessas três décadas o Centro Cultural foi palco de espetáculos relevantes com atrações regionais, nacionais e internacionais. Entre as mais recentes: duas das 16 edições do Festival de Teatro Brasileiro,  Duo Assadi, Denise Stoklos, Natália Timberg, ST Fusion, seminários dos Planos Nacional e Estadual de Cultura, entre outras ações no Teatro Aracy Balabanian, exposições de artistas de todo o Brasil nas Galerias Wega Nery e do Foyer, mostras de recortes do acervo do Museu de Arte Contemporânea na Sala Ignês Corrêa da Costa, grafite nos muros do pátio interno com expoentes da técnica de projeção local e internacional; cursos, oficinas e seminários de capacitação nas áreas da dança, teatro, circo, artes visuais, música, artesanato e audiovisual para públicos de todas as faixas etárias; além dos projetos Cinema d(e) Horror, Cine Brasil e exibição de produções independentes.

 

A partir de 2007 o Centro Cultural recebeu uma série de ações que devolveram ao espaço e ao público a tradição de ser inteiramente dedicado ao fazer cultural. Dentre estas ações podemos destacar a implantação do Programa Educativo (com significativa realização de cursos, oficinas e visitas mediadas); a curadoria de Artes Visuais (que ampliou os espaços de exposição existentes na unidade), projetos de audiovisual (com exibições gratuitas), revitalização de instalações elétricas, hidráulicas, de climatização e acessibilidade (mediante convênio entre Governo do Estado e Governo Federal); Prêmio Funarte, que garantiu a doação de equipamentos de iluminação cênica contemplando o Teatro Aracy Balabanian e proporcionando às produções realizadas no Teatro excelência em equipamentos de iluminação cênica.

 

Conheça um pouco mais sobre o Centro Cultural

 

Histórico - O Centro Cultural de Mato Grosso do Sul foi fundado através de decreto do governador Wilson Barbosa Martins em 11 de outubro de 1984, localizado na Rua 26 de Agosto, antiga Rua Velha, considerada a primeira de Campo Grande. Segundo Idara Duncan foi de grande importância o empenho de Nelly Martins, artista plástica e à época primeira dama do Estado, para a materialização do primeiro espaço físico exclusivamente destinado à cultura do Estado.

 

O terreno foi utilizado inicialmente para alojar a antiga usina elétrica (1919). Na década de 60 foi construído no local o prédio do Fórum da Comarca de Campo Grande. Na década de 80 o Fórum foi transferido para o edifício onde funcionavam as repartições públicas do Estado, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, que por sua vez foram transferidas para o recém construído Parque dos Poderes. Então, aproveitando a edificação do antigo fórum, foi fundado o Centro Cultural de Mato Grosso do Sul.

 

No dia 20 de dezembro de 1989, através da lei 1.029, sancionada pelo governador Marcelo Miranda, o Centro Cultural de Mato Grosso do Sul recebeu a denominação Centro Cultural José Octávio Guizzo, homenageando o advogado, historiador, estudioso do folclore, cineasta, produtor cultural, músico, poeta e ex-presidente da Fundação de Cultura, falecido no dia 20 de novembro do mesmo ano.

 

Funcionou também no Centro Cultural a Biblioteca Isaías Paim, atualmente instalada no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, a Pinacoteca Estadual, que deu origem ao Museu de Arte Contemporânea (MARCO) e a Filmoteca, que funciona hoje no Museu de Imagem e do Som (MIS).

O edifício já passou por várias reformas ao longo do tempo. Em 1989 foi construído o anexo com o teatro. Em 1996 todo o revestimento externo foi renovado e foi criado um novo acesso, independente ao teatro. Já em 2009 destacam-se a troca do sistema de climatização, reparos nas instalações, pintura, paisagismo, adequação de acessibilidade e criação de interligação entre o Centro Cultural e o Memorial da Cultura, viabilizando-se a ampliação de usos para atender ao público com maior conforto e eficiência em suas dependências.

O Centro Cultural abriga o Teatro Aracy Balabanian, que recebe espetáculos de dança, música e teatro no pavimento superior e salas e galerias com nomes de personalidades relacionadas à cultura sul-mato-grossense: Sala Rubens Corrêa para projetos audiovisuais, debates, reuniões e palestras; Sala Conceição Ferreira para Dança e Teatro, Ateliê de Artes, Sala de Música, Sala Central, Sala de Ensaio e as Galerias Wega Nery, Foyer e Sala Ignês Corrêa da Costa para exposições de Artes, além da ampla área externa, com espaços de múltiplos usos.

Cenasom - O projeto foi criado pela Fundação e Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul em 1996 com o objetivo de divulgar a arte regional e propiciar um espaço na noite sul-mato-grossense para áreas da cultura (dança, música e teatro) todas as quintas-feiras (de abril a dezembro), às 20 horas, no Teatro Aracy Balabanian do Centro Cultural José Octávio Guizzo.

Quarta Erudita - Projeto da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, estreou em 1º de abril de 2009 e tem por objetivo fomentar e difundir a música erudita, proporcionando à classe artística deste segmento espaço para suas apresentações e incentivando a formação de público e mercado a preços acessíveis, com espetáculos na primeira quarta-feira de cada mês (de abril a dezembro).

Cinema d(e) Horror - Em seu sétimo ano de atividades, o projeto do Cinema (d)e Horror oferece ao público uma exibição mensal, sempre às 18h30, com entrada gratuita. É fruto de uma parceria entre a Fundação de Cultura e o mestrado em Estudos de Linguagens da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

O objetivo do projeto é promover reflexões a partir de filmes que tratam a categoria “Horror”, possibilitando uma melhor compreensão do universo artístico contemporâneo e da conflituosa natureza humana, numa leitura diferente do habitual. Após a exibição dos filmes são realizados  debates com abordagem crítica sobre o filme, relacionando-os a obras literárias que também tratam do “Horror”.

Camerata Violeira - Nasceu em 2012 durante a realização de um projeto chamado Violeiros do MS, contemplado pelo Fundo de Investimentos Culturais (FIC). Seleciona crianças e jovens de escolas públicas e oferece às quintas-feiras oficinas gratuitas de viola caipira, violino, baixo sinfônico, viola, sax e acordeom sob a coordenação do músico Marcos Assunção.

Os alunos são preparados para fazer parte da orquestra contemporânea Camerata Violeira, que possui linguagem ímpar no cenário musical de Mato Grosso do Sul com uma sonoridade marcada pela pluralidade cultural existente no Brasil e no mundo.


Danças Folclóricas

 

Camalote é um grupo de representação das danças folclóricas de Mato Grosso do Sul. Criado em 2003 a partir do Projeto CIM junto às escolas municipais de Campo Grande, o grupo é formado por profissionais da educação, alunos de graduação e jovens secundaristas selecionados. As aulas acontecem gratuitamente aos sábados. Atualmente o Camalote recebe o apoio da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, através de projeto aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis e da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

O trabalho desenvolvido pelo Camalote tem suporte nas pesquisas feitas pela professora Marlei Sigrist publicadas em seu livro “Chão Batido”. O objetivo do grupo é divulgar a cultura popular regional e conscientizar os conterrâneos sobre a importância de sua valorização na era da globalização e do descartável.

 

Exposições

 

O Centro Cultural José Octávio Guizzo conta com três espaços direcionados a exposição de Artes Visuais:

Sala Ignês Corrêa da Costa - Espaço direcionado exclusivamente à disponibilização do acervo do Museu de Arte Contemporânea (Marco).

Galeria Wega Nery - Recebe artistas que ao longo do tempo legitimaram suas práticas na área das artes plásticas, com projeção de sua obra além fronteiras regionais e nacionais.

Foyer do Teatro Aracy Balabanian - Apresenta artistas da nova geração.

 

Programa Educativo


A implantação do atual Programa Educativo do Centro Cultural José Octávio Guizzo, em 2007, tem origem na responsabilidade de reconstruir um pólo de atividades de formação cultural capazes de potencializar a compreensão das diversas manifestações artísticas.

O Programa Educativo visa o desenvolvimento de ações que promovam a qualidade da experiência do público no contato com as artes. Os cursos/oficinas podem ser temporários, semestrais ou anuais e são aprovados através de edital de seleção.

Atualmente são disponibilizados os seguintes cursos e oficinas: Capoeira, com o grupo Ilê Camaleão, Dança de Salão, Piano, Pintura, Desenho, Pintura em Tela, Teatro Juvenil e Adulto e Violão Popular.

 

Personalidades Históricas

José Octávio Guizzo foi advogado, historiador, estudioso do folclore, cineasta, estimulador de talentos, produtor cultural, músico, poeta e ex-presidente da Fundação de Cultura do Estado.

Aracy Balabanian é uma das maiores intérpretes vivas das artes cênicas, com personagens inesquecíveis em teatro e televisão.

Wega Nery Gomes Pinto nasceu em 1912 em Corumbá e faleceu em 2007 na cidade de Guarujá, em São Paulo. É a artista plástica de Mato Grosso do Sul de maior expressão, com obras em bienais e acervos de museus de todo o mundo. Foi também crítica de arte, poeta e professora.

Ignês Corrêa da Costa - Artista pioneira das artes plásticas mato-grossenses na década de 1930. Aluna de Portinari no Rio de Janeiro que foi por ele bastante influenciada em suas técnicas e temas retratados.

Conceição Ferreira é considerada uma das pioneiras de Mato Grosso do Sul no cenário cinematográfico e teatral. Interpretou suas personagens em diversos locais, de Lisboa a Bela Vista, fronteira com o Paraguai. Em Campo Grande atuou como atriz principal no filme “Alma do Brasil” (primeira produção cinematográfica do Estado).

Rubens Corrêa nasceu em Aquidauana e tornou-se ator e diretor da maior relevância no cenário nacional.  Sua interpretação trouxe elementos peculiares aos princípios enunciados por Antonin Artaud, privilegiando personagens de alta densidade dramática, fora das convenções realistas ou das comédias ligeiras.


Depoimentos


“Sendo o primeiro espaço dedicado exclusivamente a arte e cultura de Mato Grosso do Sul, o José Octávio Guizzo representou o primeiro reconhecimento do Estado à importância e a necessidade de se destinar locais para o abrigo, a prática e o desenvolvimento de ações artísticas e culturais. Entretanto, foram necessários muitos anos e o trabalho de diversas pessoas para que ele se transformasse de fato em um Centro Cultural, com incalculável número de artes e serviços prestados à comunidade sul-mato-grossense. Indescritivelmente, o Centro Cultural José Octávio Guizzo é hoje uma referência nessa área”.

Américo Calheiros Presidente da Fundação de Cultura do Estado


“Palco de movimentos emblemáticos da identidade sul-mato-grossense, a trajetória do Centro Cultural está mesclada à história deste Estado jovem por criação, herdeiro de rica e diversa cultura, tanto quanto antiga. Nos últimos oito anos recebeu ações de revitalização de espaços e programação, além da manutenção (essencial quando se trata de equipamentos públicos tanto quanto o é o registro e preservação da memória e dos saberes), ampliando significativamente a frequência de público de todas as faixas etárias para acesso a bens e produtos culturais de todo o Brasil e do exterior. O Convênio com o Ministério da Cultura mediante Emenda Complementar, o Prêmio Funarte de Equipamentos de Iluminação Cênica e os esforços para garantir acessibilidade e conforto garantiram uma estrutura técnica melhor, adequada, com climatização de espaços e manutenção de equipamentos de acesso e segurança. Ações contínuas intercaladas por marcos pontuais abriram espaço para exposições de artes visuais, projetos de audiovisual, apresentações artísticas de toda sorte, festivais, saraus, seminários, conferências, fóruns, palestras, cursos e oficinas. O Centro Cultural José Octávio Guizzo está em sua plena maioridade, com todos os seus espaços destinados a contribuir para a formação de cidadãos críticos e apreciadores da cultura em toda a sua diversidade, dela se utilizando como referência no aprendizado, lazer e sobrevivência. Muito ainda há a ser feito, aperfeiçoado. Entretanto, 2014 encerra um ciclo em que grandes esforços foram empenhados e alcançados, garantindo ambiente de fruição e interlocução cultural, direito de cada indivíduo, contribuição para uma sociedade mais sensível e consciente”.

Fabíola Marques - Coordenadora do Centro Cultural

“Acompanho as atividades do Centro Cultural José Octávio Guizzo desde o início, ensaiando, assistindo e apresentando espetáculos, ministrando cursos, acompanhando exposições, festivais e principalmente conhecendo o trabalho de artistas como Rubens Corrêa, Cacá Carvalho, Matheus Nachtergaele, Luiz Arrieta, Denise Stoklos, entre outros. Destaco o fato de há 20 anos ter protagonizado um espetáculo da maior importância na dramaturgia sul-mato-grossense, que foi "O Corvo e as Flores do Mal", criado por Zéduardo Calegari Paulino e Miguel Horta. É a minha casa da cultura”.

Jair Damasceno - Diretor, ator e coreógrafo


"Aproveito a oportunidade desta data especial para agradecer, enquanto cineclubista e membro da comunidade geral, a todas as oportunidades dadas pelo espaço cultural mais popular e democrático de Mato Grosso do Sul. O Centro Cultural José Octávio Guizzo, muito além de ceder a sua casa aos projetos de cultura, fomenta, motiva, incentiva e potencializa as ações ali realizadas. Um espaço cujas portas encontram-se sempre abertas aos representantes da classe artística e à comunidade geral, apresenta-se como uma instituição de extrema importância não só para os produtores culturais, mas para todo o estado de Mato Grosso do Sul. Vida longa ao Centro Cultural José Octávio Guizzo! Que este continue a ser um cenário cultural coletivo, produtivo, frutífero, democrático e cada vez mais próspero!"

Carol Sartomen - Coordenadora do Cinema d(e) Horror

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